🔎 Investigação também identificou R$ 75,85 milhões em movimentações consideradas suspeitas e apura possível esquema de pagamentos irregulares, favorecimento de empresas e lavagem de dinheiro.
O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida, realizou 150 saques em dinheiro vivo que totalizaram aproximadamente R$ 15,6 milhões, entre 1º de janeiro e 22 de outubro de 2025, segundo relatórios da Polícia Federal.
Do total, 64 retiradas foram realizadas diretamente no guichê de uma instituição bancária, somando cerca de R$ 15,47 milhões. Outras 86 operações ocorreram em terminais de autoatendimento.
As informações fazem parte da Operação Tomada de Contas, que investiga um possível esquema de corrupção, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro dentro do Tribunal.
💸 Investigação identificou R$ 75,85 milhões em movimentações suspeitas
De acordo com a Polícia Federal, a análise bancária de um período de 294 dias identificou aproximadamente R$ 75,85 milhões em movimentações consideradas suspeitas.
Em relação às contas de Sérgio Ricardo, os investigadores identificaram 101 lançamentos que totalizaram R$ 15,44 milhões. Os valores teriam sido distribuídos entre ordens bancárias avulsas, pagamentos registrados como despesas com fornecedores e remuneração salarial.
A investigação também apontou uma diferença entre os valores efetivamente creditados nas contas do conselheiro e aqueles publicados oficialmente. Segundo os dados apresentados pela reportagem, apenas R$ 288,5 mil apareciam nos registros públicos, enquanto os créditos identificados pelos investigadores chegaram a R$ 15,44 milhões.
🏦 Imagens de banco indicariam participação de servidores
Outro elemento da investigação envolve imagens do circuito interno de uma agência do Sicoob localizada nas dependências do TCE-MT.
Segundo laudo pericial da Polícia Federal, as gravações registraram operações recorrentes de retirada e entrega de dinheiro, com participação de servidores do Tribunal.
Entre as pessoas citadas está Roseli Loss, chefe de gabinete de Sérgio Ricardo desde janeiro de 2024. Ela também é investigada na operação e, conforme os relatórios, teria operacionalizado parte significativa das movimentações.
A PF suspeita que os recursos eram retirados em espécie ou transferidos entre diferentes contas, em possíveis tentativas de dificultar a identificação de sua origem e destinação.
⚖️ Suspeita de favorecimento de empresas e pagamento de propina
A investigação aponta que o suposto esquema envolveria o favorecimento de empresas contratadas pelo TCE-MT em troca de vantagens financeiras.
Segundo a Polícia Federal, Sérgio Ricardo teria utilizado sua posição no comando do Tribunal para suspender contratos e bloquear pagamentos, sob justificativas relacionadas a cortes orçamentários. Essas medidas poderiam ter sido utilizadas como forma de pressionar fornecedores.
Os investigadores também identificaram pagamentos extraordinários a agentes públicos e particulares, valores considerados incompatíveis com as remunerações oficiais, além de movimentações financeiras e aquisições patrimoniais que estão sob análise.
A PF sustenta que Sérgio Ricardo ocuparia uma posição de comando na estrutura investigada, com influência sobre servidores, contratos, nomeações e setores responsáveis pelos pagamentos.
🚔 Prisão preventiva e continuidade das investigações
Sérgio Ricardo foi preso preventivamente em 29 de outubro de 2026, por determinação do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Ao defender a prisão, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal apontaram indícios de materialidade e autoria, além de riscos à ordem pública, à produção de provas e à aplicação da lei penal.
A investigação também identificou movimentações financeiras consideradas suspeitas em 2026, o que, segundo a Procuradoria, indicaria a possível continuidade das atividades investigadas.
O TCE-MT informou que seguirá atuando com responsabilidade e serenidade, respeitando a legalidade e sua missão constitucional. A reportagem procurou a defesa de Sérgio Ricardo, mas não recebeu manifestação até a publicação. O espaço permanece aberto.
As suspeitas ainda dependem de apuração judicial. A prisão preventiva não representa condenação, e o investigado tem direito à ampla defesa e à presunção de inocência.



