🚨 Colapso do banco digital Ueno congela US$ 850 milhões e atinge 3 milhões de clientes; Manobra de renúncia para obter foro privilegiado vitalício é frustrada por votação unânime dos deputados.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, apresentou formalmente sua carta de renúncia ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio a uma grave crise política e financeira provocada pelo colapso e liquidação do banco digital Ueno. A instituição financeira, da qual Peña foi acionista até março de 2025, teve suas operações encerradas pelo Banco Central do Paraguai (BCP) após a constatação de falta de solvência e empréstimos irregulares concedidos a empresas vinculadas ao próprio grupo. A medida deixou cerca de 3 milhões de correntistas sem acesso a depósitos e congelou aproximadamente US$ 850 milhões em fundos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
Em pronunciamento veiculado em vídeo, Peña pediu desculpas aos poupadores e alegou que sua saída visava preservar a estabilidade democrática e a paz social do país. No entanto, analistas políticos e parlamentares da oposição apontaram que o anúncio de renúncia fez parte de uma manobra estratégica de blindagem jurídica. Segundo o Artigo 189 da Constituição do Paraguai, ex-presidentes que concluem ou deixam o mandato tornam-se automaticamente senadores vitalícios, garantindo foro privilegiado até o fim da vida. Contudo, a Carta Magna estabelece expressamente que esse direito é cassado caso o governante seja submetido a julgamento político e considerado culpado.
Percebendo a tentativa de evitar o julgamento pela Justiça comum, a Câmara dos Deputados do Paraguai agiu rapidamente. Em votação unânime, os parlamentares rejeitaram a carta de renúncia de Peña e decidiram dar prosseguimento ao processo de impeachment. A abertura do processo contou inclusive com a perda de apoio da base governista e do Partido Colorado, liderado pelo ex-presidente Horacio Cartes — histórico mentor político de Peña —, além da retirada do suporte da presidência do Congresso.
Com o avanço do julgamento político contra Peña, a Câmara dos Deputados rejeitou o pedido de impeachment contra o vice-presidente Pedro Alliana, abrindo caminho para que ele assuma o comando do Poder Executivo e conclua o mandato presencial até 2028. Na esfera jurídica, o presidente do BCP renunciou, executivos do Ueno Bank entregaram-se às autoridades após a emissão de mandados de prisão, e a Procuradoria formalizou acusações contra 27 pessoas envolvidas no esquema, com a ordem de bloqueio de bens de todos os investigados.


