Rede encerrou 298 unidades e demitiu cerca de 1,9 mil funcionários; empresa busca reduzir despesas e ampliar participação nas vendas digitais
A Casas Bahia fechou 298 lojas entre quinta-feira (13) e sexta-feira (14), em uma das maiores reduções de sua rede nos últimos anos. O corte representa aproximadamente 29% das unidades físicas da companhia e veio acompanhado do desligamento de cerca de 1,9 mil funcionários.
A medida faz parte de uma nova etapa de reestruturação financeira e operacional, adotada pela empresa para reduzir custos e adaptar sua operação diante das dificuldades enfrentadas pelo varejo.
📉 Prejuízo bilionário e pressão financeira
A situação financeira da Casas Bahia se agravou nos primeiros meses de 2026. No primeiro trimestre, a companhia registrou prejuízo de aproximadamente R$ 1,06 bilhão, mais que o dobro do resultado negativo registrado no mesmo período do ano anterior.
A empresa também enfrenta os efeitos dos juros elevados e do custo do endividamento, fatores que aumentam a pressão sobre o caixa e dificultam a operação de uma extensa rede de lojas físicas.
Em 2024, a companhia passou por uma reestruturação financeira extrajudicial, envolvendo cerca de R$ 4 bilhões em dívidas e outras obrigações.
🏪 Corte reduz significativamente a rede
A Casas Bahia já vinha diminuindo sua presença física. Ao final de 2025, o grupo possuía 1.042 lojas, contra 1.064 em 2024 e 1.078 em 2023.
O fechamento de 298 unidades, portanto, representa um movimento muito mais amplo do que os cortes realizados anteriormente e deve concentrar a operação em estabelecimentos considerados mais estratégicos para a companhia.
O número de demissões pode chegar a 3 mil, segundo informações divulgadas pelo Valor Econômico. A empresa, porém, não confirmou esse número como definitivo.
💻 Estratégia mira o comércio digital
Enquanto reduz a quantidade de lojas, a Casas Bahia tenta fortalecer sua operação pela internet. No primeiro trimestre, as vendas digitais de produtos próprios cresceram 26%, enquanto as vendas realizadas nas lojas físicas recuaram 1,8%.
A receita bruta da companhia, por outro lado, avançou 6,4%, alcançando aproximadamente R$ 8,8 bilhões no período.
A estratégia, portanto, combina a redução da estrutura física com o esforço para ampliar canais digitais e melhorar a eficiência operacional.
💰 Ações também sofrem forte desvalorização
A crise se refletiu ainda no mercado financeiro. As ações da Casas Bahia (BHIA3) chegaram a R$ 0,64 nesta sexta-feira (14), segundo os dados citados na reportagem, acumulando forte desvalorização ao longo de 2026.
A companhia também vem negociando condições com fornecedores e realizando mudanças na operação do marketplace como parte das medidas destinadas a melhorar o fluxo de caixa.
O novo plano de reestruturação representa uma tentativa de adequar o tamanho da empresa à atual realidade financeira, priorizando operações consideradas mais rentáveis e reduzindo despesas com unidades que apresentam menor desempenho.



