Gravações mostram viatura passando pelo carro sem parar ou fazer contato com o condutor; motorista mantém relato de que foi seguido por policiais e diz ter registros de mensagens feitas durante o episódio
A Polícia Militar de São Paulo analisa imagens de câmeras de segurança para esclarecer a denúncia de que o motorista do candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) teria sido abordado e seguido por policiais militares na capital paulista.
As gravações obtidas pela corporação não registram uma abordagem no local indicado pelo motorista. Em uma das imagens, o Ford Fusion conduzido por ele aparece parado na Rua Joinville, na Vila Mariana, enquanto uma viatura passa pelo trecho sem estacionar, sem que policiais desembarquem ou mantenham contato aparente com o condutor.
A sequência mostra o veículo chegando ao local por volta das 21h58. Cerca de um minuto depois, o motorista retorna ao carro e permanece no interior do veículo. Aproximadamente 26 minutos mais tarde, às 22h24, uma viatura passa pela rua. Dois minutos depois, o Fusion deixa o local.
A gravação, entretanto, não mostra o que teria acontecido antes da chegada do veículo à Rua Joinville nem todo o trajeto percorrido pelo motorista. Por isso, as imagens não permitem, isoladamente, concluir se houve ou não o suposto acompanhamento relatado por ele.
🔎 Motorista mantém versão sobre perseguição
Segundo o relato apresentado à equipe de Haddad, o motorista teria sido acompanhado por uma viatura por cerca de cinco quilômetros depois de deixar o candidato em casa. Ele afirma que teria sido abordado anteriormente e que os policiais o acompanharam até a região da Vila Mariana.
Após analisar as imagens, o motorista manteve sua versão. Assessores de Haddad afirmam ainda que ele realizou ligações e trocou mensagens com seu advogado durante o episódio e que esses registros podem ser apresentados para ajudar a reconstruir a sequência dos acontecimentos.
A equipe do candidato também interpreta que a viatura teria reduzido a velocidade ao passar pelo Fusion e que os ocupantes teriam observado o veículo. Essa interpretação, contudo, não comprova por si só uma abordagem ou perseguição.
🚔 O que a investigação da PM encontrou
A PM iniciou uma apuração depois que o caso veio a público. Inicialmente, a corporação analisou imagens de cerca de 40 câmeras. Posteriormente, o levantamento foi ampliado para aproximadamente 70 câmeras ao longo do trajeto indicado pelo motorista.
Até o momento, segundo a corporação, as diligências não identificaram evidências de abordagem ou de procedimento irregular por parte dos policiais. A PM também verificou a localização e o deslocamento das viaturas por meio dos sistemas de geolocalização.
A investigação, porém, permanece em andamento e poderá ser aprofundada caso surjam elementos que indiquem alguma irregularidade.
⚖️ Divergências sobre o motivo da abordagem
Outro ponto de controvérsia envolve a justificativa apresentada pela Secretaria da Segurança Pública para a atuação policial.
Segundo a pasta, policiais estavam realizando uma operação para localizar suspeitos de roubos de celulares na região. Haddad questionou a explicação porque, segundo ele, o boletim de ocorrência utilizado para justificar a ação registraria um roubo ocorrido posteriormente ao horário em que o motorista afirma ter sido abordado.
O documento menciona uma ocorrência envolvendo suspeitos que utilizavam um Nissan Kicks e a localização de celulares e ferramentas. O Ford Fusion conduzido pelo motorista de Haddad não aparece no registro como veículo relacionado ao crime.
A Secretaria da Segurança Pública determinou a identificação das equipes que atuaram ou passaram pela região e afirmou que eventual desvio de conduta será apurado.
🏛️ Caso também chegou ao Ministério Público
O episódio também passou a ser analisado pelo Ministério Público Eleitoral, que solicitou informações ao governo paulista sobre a atuação dos policiais e as circunstâncias do caso.
Enquanto a PM afirma não ter encontrado, até o momento, indícios que confirmem uma abordagem irregular, o motorista continua sustentando que foi seguido e abordado pelos agentes.
Assim, o ponto confirmado pelas imagens é que uma viatura passou pelo carro na Rua Joinville sem realizar uma abordagem visível. Já a suposta perseguição anterior permanece sob investigação.



