🚨 Profissional afirma que cerca de dez médicos estariam envolvidos em um esquema que poderia movimentar mais de R$ 600 mil por mês em unidades de saúde de Santa Luzia. Polícia Civil investiga as suspeitas.
O médico Alexandre Magno Machado afirma ter sido demitido após denunciar um suposto esquema de plantões fantasmas na rede pública de saúde de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo ele, profissionais eram incluídos em escalas de trabalho, recebiam pelos plantões, mas não precisavam comparecer às unidades.
As suspeitas envolvem o Hospital Municipal Madalena Parrillo Calixto e a UPA São Benedito. A Polícia Civil de Minas Gerais investiga possíveis irregularidades nos pagamentos e eventuais prejuízos aos cofres públicos.
💰 Médico relata tentativa de envolvimento no esquema
Alexandre conta que começou a trabalhar no Hospital Municipal Madalena Parrillo Calixto em março de 2026 e, pouco depois, percebeu inconsistências nas escalas de plantão.
Segundo seu relato, seu nome aparecia em jornadas de até 30 plantões de 24 horas por mês, inclusive em uma unidade onde afirma nunca ter trabalhado.
O médico diz que, aproximadamente 15 dias após começar suas atividades, recebeu uma proposta do responsável técnico da unidade para devolver parte dos valores que seriam depositados em sua conta.
De acordo com Alexandre, sua participação nos pagamentos seria de aproximadamente R$ 25 mil, enquanto o responsável técnico receberia quase R$ 40 mil e repassaria R$ 4 mil a ele como propina.
O profissional afirma que recusou a proposta e passou a registrar os pagamentos, encaminhando informações à Polícia Civil.
🔎 Suspeita de esquema milionário
O médico afirma que aproximadamente dez profissionais estariam envolvidos no suposto esquema e que as movimentações poderiam ultrapassar R$ 600 mil por mês.
Segundo ele, os pagamentos eram realizados mesmo quando os profissionais não cumpriam os plantões previstos.
Entretanto, a Polícia Civil ainda não confirmou oficialmente a quantidade de médicos envolvidos nem o valor mensal mencionado pelo denunciante.
Alexandre também afirma que, após colaborar com as investigações, passou a sofrer perseguições e acabou demitido. A possível relação entre sua exoneração e as denúncias ainda não foi comprovada.
🚑 Pacientes também poderiam ter sido prejudicados
Além das suspeitas de prejuízo financeiro, o médico afirma que a ausência de profissionais nas escalas comprometia o atendimento à população.
Ele relata que, em determinadas ocasiões, havia menos médicos do que o necessário para atender à demanda. Em um plantão de 12 horas, afirma ter atendido 110 pacientes, situação que teria provocado sobrecarga na equipe.
Alexandre também mencionou a morte de três bebês e denúncias apresentadas pelas mães ao Ministério Público. No entanto, não há confirmação de que esses casos tenham relação direta com os supostos plantões fantasmas.
📋 Ex-gerente também relata possíveis irregularidades
Uma ex-gerente de uma das unidades afirma que começou a questionar despesas que considerava incompatíveis com os serviços prestados.
Segundo ela, as suspeitas não envolviam apenas os plantões médicos, mas também gastos com alimentação, fornecimento de insumos e serviços de rouparia.
A ex-funcionária acredita que seus questionamentos contribuíram para sua demissão, mas essa possível relação também não foi comprovada.
🚔 Operação policial investiga o caso
Em setembro de 2026, a Polícia Civil realizou a Operação Plantão Fake, cumprindo sete mandados de busca e apreensão em Santa Luzia e Belo Horizonte.
Entre os alvos estava o ex-secretário municipal de Saúde Rodrigo Gazeto, que atualmente ocupa o cargo de vereador no município.
Gazeto negou qualquer participação em irregularidades e afirmou que o caso está sendo acompanhado pelas autoridades.
Na ocasião, a Prefeitura de Santa Luzia informou ter instaurado uma apuração interna para verificar possíveis irregularidades na gestão da saúde municipal. O município esclareceu que o procedimento administrativo não tinha como objeto específico uma eventual divisão irregular de pagamentos entre médicos.
A Polícia Civil confirmou que o inquérito permanece em andamento, com diligências para esclarecer os fatos. A corporação informou que novos detalhes serão divulgados após a conclusão das investigações, para não comprometer os trabalhos.
As denúncias ainda estão sob investigação, e os valores mencionados pelo médico, assim como a participação dos profissionais citados, dependem de confirmação pelas autoridades.



