🏛️ Manifesto pede sessão pública do Plenário e investigação dos fatos que, segundo os signatários, ameaçam a credibilidade do Supremo e das instituições democráticas
Treze ministros aposentados do Supremo Tribunal Federal (STF) divulgaram uma carta aberta ao presidente da Corte, Edson Fachin, pedindo uma “imediata e rigorosa apuração” dos fatos que vêm provocando uma grave crise institucional no tribunal. O grupo também defendeu que o tema seja discutido em uma sessão pública do Plenário, com respeito ao devido processo legal.
A manifestação foi articulada ao longo do último fim de semana. Segundo o G1, ministros aposentados começaram a discutir o conteúdo da carta ainda na semana anterior e, entre sexta-feira (4) e sábado (5), houve uma mobilização para localizar antigos colegas, inclusive alguns que estavam fora do Brasil. Três signatários ouvidos pela publicação afirmaram estar extremamente preocupados com os efeitos das recentes revelações e dos conflitos internos sobre a confiança da população no STF.
Entre os signatários estão Rosa Weber, Joaquim Barbosa, Ayres Britto, Ellen Gracie, Nelson Jobim, Celso de Mello, Cezar Peluso, Eros Grau, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Sydney Sanches, Francisco Rezek e Néri da Silveira.
🔎 Pedido por investigação e sessão pública
Os ex-ministros defendem que o Plenário do STF determine uma apuração ampla dos fatos por meio de inquérito. A preocupação, segundo os relatos obtidos pelo G1, é também evitar que questões de grande relevância institucional sejam resolvidas exclusivamente em reuniões fechadas.
A carta ocorre em meio à crise desencadeada pela divulgação de informações relacionadas ao caso Banco Master, incluindo relatório da Polícia Federal com mensagens e contatos envolvendo ministros do STF, autoridades e o banqueiro Daniel Vorcaro. A divulgação foi seguida por um pedido de Alexandre de Moraes para investigar André Mendonça, enquanto Fachin passou a conduzir os procedimentos relacionados ao conflito.
É importante ressaltar que a carta dos 13 ex-ministros não cita nominalmente Alexandre de Moraes, André Mendonça ou Daniel Vorcaro. O documento trata de maneira geral dos “gravíssimos fatos” que, segundo os signatários, afetam a credibilidade do Supremo e das instituições democráticas.
🏛️ Preocupação com a sucessão do STF
Nos bastidores, porém, um dos signatários relatou ao G1 uma preocupação adicional: o risco de Alexandre de Moraes assumir a Presidência do STF antes que os indícios atualmente em discussão sejam devidamente apurados.
Essa preocupação deve ser atribuída ao signatário ouvido pelo blog e não apresentada como uma posição formal dos 13 ex-ministros, já que não consta dessa forma na carta.
O manifesto também representa uma demonstração pública de confiança em Edson Fachin, a quem os aposentados atribuem a responsabilidade de conduzir a Corte durante o atual período de tensão institucional.
⚠️ Manifesto não representa acusação contra Moraes
Apesar de a carta ter sido divulgada em meio aos episódios envolvendo Moraes e Mendonça, não é correto afirmar que os 13 ex-ministros acusaram formalmente Alexandre de Moraes.
O que o documento faz é cobrar uma apuração institucional, pública e rigorosa dos fatos, deixando que eventuais responsabilidades sejam determinadas após a investigação e o devido processo legal.



