✈️ Governo argentino afirma que a viagem do senador respeitou as regras migratórias; reportagem do Clarín aponta possível participação de assessor de Milei na organização da saída do parlamentar e de sua família.
O chanceler da Argentina, Pablo Quirno, negou que o governo de Javier Milei tenha recebido um pedido de explicações do Brasil sobre a passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo território argentino antes de seguir para os Estados Unidos.
A declaração contradiz a versão do governo brasileiro, que informou ter procurado a representação diplomática argentina na quinta-feira (29 de outubro) para tratar do episódio. Na ocasião, a encarregada de negócios da Embaixada argentina, Emilia Cortés, foi recebida por um representante do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
Em publicação na rede social X, Quirno respondeu a uma notícia do jornal argentino La Nación com a seguinte declaração: “Falso. Não houve nenhum pedido de explicações”.
🇦🇷 Governo argentino afirma que viagem foi regular
O chefe de gabinete de Milei, Diego Santilli, afirmou que Flávio e seus familiares entraram e saíram da Argentina com a documentação exigida pelas autoridades migratórias.
Segundo Santilli, não havia impedimentos registrados pela Interpol nem restrições migratórias que impedissem a passagem do senador pelo país.
A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que Flávio e seus familiares atravessaram a fronteira pela Ponte Internacional Tancredo Neves às 22h50 de terça-feira (27). Cerca de 40 minutos depois, às 23h30, embarcaram em um avião particular com destino a Guayaquil, no Equador.
🕵️ Suspeita de participação de assessor de Milei
Uma reportagem do jornal argentino Clarín apontou uma possível participação de Santiago Caputo, assessor próximo de Javier Milei, na organização da viagem de Flávio e de sua família.
Segundo o periódico, Caputo teria viajado à província de Misiones na segunda-feira (26), um dia antes da saída do senador do Brasil.
A publicação também afirma que um jato particular da empresa Baires Fly teria permanecido de prontidão no aeroporto de Puerto Iguazú para transportar Flávio, sua esposa e suas duas filhas até o Equador.
As informações sobre a suposta articulação foram atribuídas ao Clarín e ainda não representam uma comprovação oficial de que integrantes do governo argentino tenham participado da operação.
⚖️ Viagem ocorreu em meio a determinação do STF
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil apesar de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabelecia a apreensão de seus passaportes e a proibição de viagens internacionais.
A saída do senador e de seus familiares passou a ser investigada pelas autoridades brasileiras, incluindo a Polícia Federal, diante das circunstâncias da viagem e da suspeita de descumprimento da decisão judicial.
O episódio ampliou a repercussão diplomática entre Brasília e Buenos Aires. Enquanto o governo brasileiro afirma ter buscado esclarecimentos junto à representação argentina, o chanceler de Milei nega que tenha existido um pedido dessa natureza.



