📱 Promotores afirmam que oficial da reserva integrava grupo com operador financeiro da facção; investigação também reúne áudios, mensagens e planilhas que mencionam supostos pagamentos a policiais
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) afirmou que o coronel da reserva da Polícia Militar Luiz Carlos Pereira Martins participava de um grupo de WhatsApp chamado “Aniversário general”, do qual também fazia parte Cléber Azevedo dos Santos, preso durante a operação deflagrada nesta terça-feira (21) e apontado pelos investigadores como operador financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
A informação faz parte de uma investigação que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro e movimentação financeira ligado à facção criminosa.
📱 Grupo reunia coronel e investigados
Segundo o MP-SP, o grupo de WhatsApp permaneceu ativo ao menos até novembro de 2023 e reunia o coronel Luiz Carlos Pereira Martins, Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins Souza.
As conversas tinham conteúdo predominantemente social, com mensagens relacionadas a encontros e comemorações. Para os promotores, porém, o conjunto das conversas indica uma relação de proximidade entre os participantes que ia além de contatos ocasionais.
Os investigadores também afirmam ter encontrado registros indicando que o coronel teria se colocado à disposição para auxiliar investigados e intermediar contatos com outras autoridades.
🎙️ Áudio menciona suposto pagamento a policiais
Entre as provas reunidas está um áudio atribuído a Cléber Azevedo dos Santos, gravado em julho de 2025, no qual ele solicita R$ 100 mil em dinheiro vivo para, segundo a investigação, efetuar pagamento a policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).
O Ministério Público também afirma ter apreendido mensagens nas quais investigados fazem referência à necessidade de separar recursos para “pagar a polícia” e para “pagar os amigos”, expressões que, segundo os promotores, seriam utilizadas para se referir ao pagamento de propina a agentes públicos.
📋 Planilhas e anotações também fazem parte da investigação
Além das mensagens, a investigação identificou planilhas financeiras e anotações relacionadas ao esquema conhecido como “ticketagem”.
Entre os registros, consta uma anotação de pagamento em dinheiro no valor de R$ 1 mil destinada a um coronel identificado como “Patrício”. Segundo o MP-SP, o documento integra o conjunto de elementos que sustentam a investigação sobre um possível esquema de corrupção envolvendo agentes públicos.
🚔 Operação mira estrutura financeira atribuída ao PCC
A operação resultou na prisão de 13 investigados, enquanto outros cinco permanecem foragidos.
De acordo com o Ministério Público, o grupo utilizava empresas de fachada, contas de terceiros e instituições financeiras para ocultar a origem de recursos ligados ao PCC e movimentar dinheiro proveniente de atividades ilícitas.
A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em contas bancárias, aplicações financeiras, imóveis e veículos, além do sequestro de bens de investigados e empresas.
⚖️ Policiais citados ainda não foram denunciados
Embora policiais civis e militares apareçam em áudios, mensagens e planilhas apreendidas durante a investigação, eles não são alvos desta fase da operação nem foram formalmente denunciados.
As citações fazem parte do material reunido pelo Ministério Público e seguem sob análise. A eventual responsabilização dos envolvidos dependerá do andamento das investigações e de futuras decisões da Justiça.



