📱 Investigação de cerca de dois anos aponta esquema dividido em quatro etapas, com furtos, roubos, desbloqueio, adulteração de aparelhos e revenda
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP), em conjunto com as polícias Civil e Militar, deflagrou nesta quinta-feira (10) a Operação Frank Mobile, contra uma estrutura suspeita de atuar no furto, roubo, receptação, adulteração e revenda de celulares.
A Justiça autorizou sete mandados de prisão temporária e 84 mandados de busca e apreensão, cumpridos em São Paulo e Goiás. Também foram determinadas medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que ultrapassam R$ 5 milhões.
Segundo o Ministério Público, a investigação, conduzida ao longo de aproximadamente dois anos, identificou uma cadeia organizada em diferentes núcleos, que atuariam desde a subtração dos aparelhos nas ruas até sua reinserção no mercado.
🔎 Como funcionava o esquema
De acordo com os investigadores, a estrutura era dividida em quatro etapas principais.
Na primeira, os celulares eram obtidos por meio de roubos e furtos, inclusive durante grandes eventos, shows e aglomerações. Também foram identificados casos de criminosos que quebravam vidros de veículos parados no trânsito para retirar os aparelhos.
A investigação aponta ainda uma divisão entre os chamados “batedores”, responsáveis por identificar vítimas e realizar os furtos em meio às multidões, e “recolhedores”, que receberiam rapidamente os celulares para dificultar a localização dos autores.
Entre os eventos que aparecem na investigação estão Lollapalooza, Parada do Orgulho LGBT+, Virada Cultural, The Town, Tomorrowland e Só Track Boa.
Na segunda etapa, os aparelhos seriam encaminhados para pontos de receptação, principalmente na região central da capital. Segundo o MP, criminosos conhecidos como “icloudeiros” atuariam no desbloqueio dos celulares e tentariam acessar dados pessoais, contas bancárias e aplicativos financeiros das vítimas.
Em casos nos quais os criminosos obtinham senhas, a investigação identificou tentativas de realizar transferências via Pix, contratar empréstimos e acessar outros serviços financeiros, ampliando o prejuízo causado pelo roubo ou furto.
A terceira etapa ocorreria em locais utilizados para o processamento dos aparelhos. Técnicos seriam responsáveis por alterar identificadores como o IMEI e substituir componentes, dificultando o rastreamento dos celulares. A desmontagem também permitiria a comercialização separada de peças.
Por fim, os aparelhos inteiros ou seus componentes seriam revendidos. Segundo a investigação, parte dos produtos poderia ser reinserida no mercado aparentemente regular, inclusive com utilização de notas fiscais e outros documentos supostamente fraudulentos para conferir aparência de legalidade às mercadorias.
📍 Centro de São Paulo aparece como ponto estratégico
Os investigadores identificaram diferentes rotas dos aparelhos. Celulares posteriormente localizados na região da Rua 25 de Março, incluindo o Shopping Mundo Oriental e a Galeria Pagé, estariam relacionados principalmente a roubos e furtos mediante arrombamento de veículos.
Já aparelhos rastreados até a Rua Guaianases e arredores aparecem associados, em grande parte, a furtos praticados em grandes eventos.
A região também teria concentrado mais de 500 registros de ocorrências envolvendo celulares em pouco mais de dois anos, segundo dados analisados pela investigação.
A Rua Guaianases, Santa Ifigênia e áreas próximas passaram a ser consideradas importantes pontos da cadeia investigada, envolvendo armazenamento, desbloqueio, adulteração, desmontagem e distribuição dos aparelhos.
🕵️ Investigação começou a partir de outras operações
O inquérito é resultado do cruzamento de informações obtidas em diferentes investigações anteriores, incluindo dados extraídos de celulares apreendidos, rastreamento de aparelhos, informações fiscais e movimentações financeiras.
Entre os antecedentes está a Operação Salus et Dignitas, realizada em 2024 pelo Ministério Público e pela Polícia Civil. A análise de materiais apreendidos naquela investigação ajudou, segundo o MP, a identificar relações entre diferentes integrantes e atividades ligadas à receptação e comercialização de celulares de origem criminosa.
A partir do cruzamento dessas informações, os investigadores sustentam ter identificado uma estrutura que ultrapassaria os autores dos roubos e furtos, envolvendo receptadores, operadores de desbloqueio, técnicos, comerciantes de peças e pessoas responsáveis pela circulação dos produtos.
As acusações e vínculos atribuídos aos investigados, contudo, ainda estão sob apuração e devem ser tratados como suspeitas, não como condenações definitivas.
📊 Milhares de aparelhos e peças apreendidos
Durante a Operação Frank Mobile, as autoridades apreenderam milhares de celulares e componentes relacionados ao esquema investigado, além de cumprir os mandados determinados pela Justiça.
A ofensiva busca interromper a cadeia que, segundo o Ministério Público, permite que aparelhos subtraídos nas ruas sejam rapidamente processados, modificados e posteriormente devolvidos ao mercado.


