⛪ Investigação aponta que líderes religiosos utilizavam a fé e ameaças de expulsão da igreja para intimidar adolescentes
A Polícia Civil de Roraima indiciou um casal de pastores suspeito de cometer crimes sexuais contra adolescentes e de utilizar a estrutura da igreja para intimidar as vítimas e impedir denúncias. Segundo as investigações, os líderes religiosos recorriam a uma regra interna de expulsão da congregação para silenciar jovens que sofriam abusos.
Os investigados são Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamila Moraes de Souza, de 24 anos, responsáveis por uma igreja em Boa Vista. De acordo com a polícia, eles teriam se aproveitado da posição de liderança religiosa para praticar os crimes e exercer controle psicológico sobre as vítimas.
🔍 Regra interna era usada como forma de intimidação
Conforme a Polícia Civil, as adolescentes temiam denunciar os abusos porque poderiam ser expulsas da igreja sob a acusação de serem “rebeldes e causadoras de divisão”.
A chamada “regra de expulsão” está prevista na ata de fundação da instituição religiosa e determina o desligamento de membros que promovam dissidência ou se rebelem contra a autoridade da igreja e de seus dirigentes.
Além da pressão religiosa, a investigação aponta que o casal oferecia dinheiro em espécie, transferências via PIX e outras vantagens para tentar garantir o silêncio das vítimas.
⚖️ Investigação identificou seis vítimas e aponta tentativa de ocultação de provas
O caso teve início após o representante legal de uma adolescente de 14 anos registrar um boletim de ocorrência em abril deste ano. Com o avanço das investigações, outras cinco adolescentes procuraram a polícia e relataram situações semelhantes.
Ao todo, seis vítimas prestaram depoimento e foram identificadas oficialmente pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente. Outras cinco pessoas apresentaram indícios de também terem sido vítimas, mas optaram por não prestar declarações.
Segundo a Polícia Civil, também foram identificadas tentativas de ocultação de provas. Uma mulher de 20 anos foi indiciada por fraude processual e corrupção de menores após, supostamente, destruir conteúdos armazenados no celular de um dos investigados.
📌 Crimes investigados
Wenderson Lima de Souza foi indiciado por diversos crimes, entre eles:
- Estupro de vulnerável;
- Importunação sexual;
- Favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança, adolescente ou pessoa vulnerável;
- Registro não autorizado de intimidade sexual;
- Fraude processual;
- Falsidade ideológica.
Já Arielly Kamila Moraes de Souza também foi indiciada por crimes relacionados às investigações, conforme a Polícia Civil.



