📈 Maior parceiro comercial do Brasil segue como alternativa, porém diferenças no perfil das exportações e barreiras comerciais dificultam uma substituição rápida do mercado americano
O aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros levou empresas a avaliarem novos mercados para reduzir a dependência do consumidor americano. Nesse cenário, a China, principal parceiro comercial do Brasil, surge como uma das principais alternativas.
Especialistas, no entanto, avaliam que o mercado chinês deve absorver apenas parte das exportações que possam ser afetadas pelas medidas norte-americanas. A principal razão é a diferença entre os produtos exportados para cada país.
📊 China compra mais do Brasil, mas concentra importações em commodities
Em 2025, a China importou cerca de US$ 99,9 bilhões em produtos brasileiros, mais que o dobro dos US$ 37,7 bilhões exportados para os Estados Unidos.
Já no primeiro semestre de 2026, as vendas brasileiras para o mercado chinês atingiram US$ 58,3 bilhões, estabelecendo um novo recorde para o período.
Apesar dos números expressivos, quase 90% das exportações brasileiras para a China são concentradas em commodities, como:
- Soja;
- Petróleo bruto;
- Minério de ferro;
- Carnes.
Esse perfil reduz a capacidade de empresas que exportam produtos industrializados aos Estados Unidos de migrarem rapidamente para o mercado chinês.
🥩 Barreiras comerciais também limitam expansão
Além das diferenças no perfil das compras, empresas brasileiras enfrentam regras específicas para acessar o mercado chinês.
Desde 1º de janeiro de 2026, a China passou a adotar um sistema de salvaguardas para a importação de carne bovina.
Pelas regras atuais:
- O Brasil possui uma cota anual de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas, sujeita apenas à tarifa regular de importação.
- O volume exportado acima desse limite passa a pagar uma sobretaxa adicional de 55%, elevando a carga tributária total para 67%.
A medida permanecerá em vigor, inicialmente, até 31 de dezembro de 2028.
📉 Economia chinesa cresce em ritmo menor
Outro fator apontado pelos especialistas é a desaceleração da economia chinesa.
O país enfrenta desafios como:
- consumo interno enfraquecido;
- crise prolongada no setor imobiliário;
- excesso de capacidade industrial.
Mesmo assim, a China continua sendo considerada um mercado estratégico para o Brasil.
🤖 Novos setores podem abrir oportunidades
Apesar das limitações, especialistas apontam potencial de crescimento em áreas impulsionadas pelo 15º Plano Quinquenal da China (2026–2030).
Entre os setores prioritários estão:
- Inteligência Artificial;
- Semicondutores;
- Veículos elétricos;
- Biotecnologia;
- Transição energética.
A nova estratégia pode ampliar a demanda por minerais estratégicos produzidos pelo Brasil, como níquel, cobre, grafite e terras raras, além de estimular novos investimentos chineses em energia renovável, mineração e mobilidade elétrica.
Segundo analistas, a principal tendência é que o Brasil amplie a diversificação de seus mercados externos, reduzindo a dependência tanto dos Estados Unidos quanto da China e fortalecendo sua presença em outras economias ao redor do mundo.



