📊 Campanha considera que mobilização reforçou sua estratégia eleitoral e a associação entre Lula e Alexandre de Moraes, mas pesquisas ainda não permitem atribuir eventual crescimento ao ato
O ato político liderado por Flávio Bolsonaro na Avenida Paulista, em São Paulo, no dia 7 de setembro, foi avaliado positivamente por aliados do candidato do PL à Presidência. Segundo a Jovem Pan, integrantes da campanha consideraram que a manifestação permitiu ao grupo “marcar posição” e renovaram a expectativa de avanço de Flávio nas próximas pesquisas.
A estratégia de aproximar politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva do ministro Alexandre de Moraes também foi considerada acertada por integrantes da campanha. Durante o ato, Flávio fez críticas a ambos e defendeu a saída de Moraes do Supremo. A associação entre os dois foi um dos principais elementos do discurso eleitoral apresentado na Paulista.
Antes da manifestação, havia preocupação dentro da campanha com a possibilidade de uma adesão abaixo da esperada. O levantamento do Monitor do Debate Político da USP, Cebrap e More in Common estimou 28,5 mil pessoas no pico do ato, com intervalo entre 25,1 mil e 32 mil. O público ficou abaixo dos 42,2 mil registrados em manifestação semelhante em 2025 e dos 45,4 mil de 2024.
Apesar disso, aliados de Flávio consideraram o resultado satisfatório e passaram a defender que a mobilização pode contribuir para o desempenho eleitoral do candidato. A campanha também afirma acompanhar trackings internos que apontariam vantagem de Flávio em determinados cenários. Esses números, porém, não correspondem a pesquisas eleitorais públicas independentes e devem ser tratados como informações atribuídas à própria campanha.
Os levantamentos públicos mais recentes mostram que a disputa de segundo turno entre Lula e Flávio está, de fato, bastante equilibrada. A Quaest divulgada em 7 de setembro apontou 41% para cada candidato, mas as entrevistas ocorreram entre 3 e 6 de setembro, portanto antes do ato da Paulista.
Já a pesquisa BTG/Nexus divulgada em 8 de setembro mostrou Flávio numericamente à frente pela primeira vez em uma simulação de segundo turno: 46% contra 45% de Lula, com margem de erro de dois pontos percentuais. No primeiro turno, Lula aparece com 39% e Flávio com 35%. O levantamento foi realizado entre 4 e 7 de setembro, período que inclui o dia da manifestação.
Assim, há sinais de uma disputa mais apertada, mas ainda não é possível afirmar que o ato na Paulista tenha provocado uma “virada” nas pesquisas. A própria campanha trabalha com essa expectativa, enquanto os dados públicos indicam uma corrida eleitoral cada vez mais competitiva.



