Uma gravação obtida durante as investigações do Ministério Público de São Paulo (MPSP) mostra um encontro entre o então chefe dos investigadores da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas e um dos acusados de participar do suposto plano para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
As imagens passaram a integrar as apurações da Operação Infiltrados, deflagrada nesta terça-feira (9), que investiga a atuação de agentes públicos suspeitos de ligação com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
🎥 Encontro ocorreu dias antes de operação do Ministério Público
Segundo as investigações, a reunião registrada em vídeo ocorreu cerca de uma semana antes da Operação Pronta Resposta, realizada em agosto de 2025 para desarticular um grupo suspeito de planejar um atentado contra o promotor.
O homem que aparece ao lado do policial é José Ricardo Ramos, apontado pelo Ministério Público como um dos envolvidos na execução do plano criminoso.
De acordo com os investigadores, o material é considerado relevante para esclarecer a possível relação entre agentes públicos e integrantes da organização criminosa.
⚖️ Operação apura infiltração do PCC em órgãos públicos
A Operação Infiltrados resultou na prisão temporária do chefe dos investigadores, de um ex-policial civil e de um ex-estagiário do próprio Ministério Público.
As apurações indicam que os suspeitos teriam atuado em diferentes esquemas ligados ao PCC, incluindo o suposto vazamento de informações sigilosas e a prática de extorsão contra investigados.
Além dos mandados de prisão, equipes cumpriram dez mandados de busca e apreensão nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior paulista.
🔍 Ministério Público investiga possível repasse de informações
O Ministério Público afirma que ainda apura quais informações podem ter sido compartilhadas durante os encontros registrados nas imagens.
As investigações também buscam identificar a participação de outros agentes públicos e possíveis conexões entre os suspeitos e integrantes da facção criminosa.
A operação contou com apoio das corregedorias das Polícias Civil e Penal, além da Polícia Militar e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em razão de diligências realizadas em um escritório de advocacia.
🛡️ Caso é desdobramento de operações anteriores
A Operação Infiltrados surgiu a partir das investigações das operações Pronta Resposta e Off White, que apuravam, respectivamente, um plano para matar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho e um esquema de lavagem de dinheiro ligado a integrantes do PCC.
Segundo o Ministério Público, as apurações continuam para esclarecer o alcance da atuação dos suspeitos e eventuais ligações com a facção criminosa.



