⚖️ Investigação apura vazamento de informações, extorsão e conexões com plano para matar promotor do Gaeco
Uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) realizada nesta terça-feira (9) resultou na prisão de um chefe de investigadores da Polícia Civil, de um ex-policial civil e de um ex-estagiário do próprio Ministério Público. Os três são suspeitos de manter vínculos com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e de atuar em esquemas que envolvem vazamento de informações sigilosas e extorsão.
Segundo as investigações, os suspeitos também aparecem em apurações relacionadas a um plano descoberto pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho.
🔍 Operação é desdobramento de investigações contra o PCC
Batizada de Operação Infiltrados, a ação é resultado de duas investigações conduzidas anteriormente pelo Gaeco.
A primeira delas, denominada Operação Pronta Resposta, foi deflagrada em agosto de 2025 para investigar uma organização criminosa ligada ao PCC que estaria planejando um atentado contra um promotor de Justiça.
Já a Operação Off White, realizada em outubro do mesmo ano, teve como objetivo desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro associado a grandes traficantes, incluindo um dos principais líderes da facção em liberdade.
Além das três prisões temporárias, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior paulista.

👮 Investigador é suspeito de repassar informações a criminosos
De acordo com o Ministério Público, o chefe de investigadores preso atuava na Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas durante as apurações que envolviam o plano de atentado contra o promotor.
As investigações apontam que, dias antes de uma das operações policiais, um dos suspeitos de participar diretamente do planejamento do crime teria se reunido com o policial.
Durante a análise de materiais apreendidos, os investigadores encontraram vídeos que registrariam esse encontro. Agora, o Gaeco apura quais informações sigilosas podem ter sido repassadas ao integrante da organização criminosa.
💻 Ex-estagiário teria usado sistemas do MP para extorquir investigados
Outro foco da operação envolve um ex-estagiário que trabalhava em uma Promotoria Criminal de Campinas e atualmente atua como advogado.
Segundo o Ministério Público, ele teria utilizado bancos de dados e sistemas internos para acessar informações sobre investigações em andamento. A partir desses dados, identificava criminosos com elevado poder financeiro e, supostamente, exigia dinheiro em troca de proteção ou da não divulgação de informações ao Gaeco.
As apurações indicam que ele teria contado com o auxílio de outros agentes públicos, incluindo o policial penal e o ex-policial civil que também foram alvo da operação.
💰 Cobrança de R$ 500 mil foi identificada durante investigação
Durante a análise do celular de um empresário preso em 2025 por suspeita de participação no plano contra o promotor, investigadores encontraram mensagens relacionadas a uma cobrança de R$ 500 mil.
Segundo o Gaeco, o valor teria sido exigido para impedir que informações sobre a atuação do investigado fossem repassadas ao Ministério Público.
A investigação identificou que a pessoa responsável pelos contatos era, na época, estagiário de uma promotoria criminal e possuía acesso a processos ligados à organização criminosa.
🛡️ Instituições destacam trabalho conjunto para combater infiltrações
Em nota, o Ministério Público afirmou que as apurações seguem em andamento e destacou a participação conjunta do Gaeco, das Polícias Militar, Civil e Penal, além das corregedorias das corporações envolvidas.
Segundo o órgão, a atuação integrada tem como objetivo identificar possíveis infiltrações criminosas em instituições públicas e garantir a integridade das investigações contra o crime organizado.



