Suspeita sancionada pelos Estados Unidos é presa, enquanto empresário apontado como elo financeiro do PCC é considerado foragido
A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (3), a Operação Exchange, uma ofensiva destinada a desarticular uma organização criminosa suspeita de atuar na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. Como parte da ação, a Justiça Federal determinou o bloqueio de R$ 10,4 bilhões em bens, valores e criptoativos pertencentes aos investigados, considerado um dos maiores bloqueios patrimoniais já realizados em uma investigação financeira no país.
A operação cumpre 11 mandados de prisão temporária e 13 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo. As diligências ocorrem nas cidades de São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba, com a participação de mais de 50 policiais federais.
Até a última atualização divulgada pela Polícia Federal, sete pessoas haviam sido presas. Todos os detidos foram encaminhados para a Superintendência Regional da PF em São Paulo.
💰 Investigação aponta sofisticado esquema de lavagem de dinheiro
Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado mantinha uma estrutura altamente organizada para ocultar e movimentar recursos oriundos do tráfico internacional de drogas.
As investigações indicam que o esquema utilizava diversos mecanismos para dificultar o rastreamento do dinheiro, entre eles:
- movimentação de grandes quantias por meio de criptomoedas;
- operações bancárias de alto valor;
- transporte de dinheiro em espécie;
- transferências entre pessoas físicas e jurídicas;
- outras operações financeiras destinadas a ocultar a origem ilícita dos recursos.
Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam dinheiro em espécie, passaportes, documentos e outros materiais considerados relevantes para o avanço das investigações.
👮 Suspeita sancionada pelos EUA está entre os presos

Entre os presos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, que havia sido alvo de sanções econômicas impostas pelo governo dos Estados Unidos no último dia 1º de julho, sob suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Já o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, também sancionado pelas autoridades norte-americanas e apontado como um dos principais investigados da operação, não foi localizado durante o cumprimento dos mandados e é considerado foragido pela Polícia Federal.
🌎 Quem é Victor Shimada
Victor Henrique de Oliveira Shimada é sócio da empresa Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda., além da empresa portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda., ambas incluídas na lista de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.
Segundo as autoridades norte-americanas, Shimada seria um dos principais operadores financeiros da organização criminosa, atuando como elo entre integrantes do PCC nos Estados Unidos e traficantes internacionais.
Os EUA afirmam que ele teria lavado mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) utilizando criptomoedas para remeter recursos ilícitos ao Brasil, além de participar de outras operações financeiras ligadas ao tráfico internacional de drogas.
No Brasil, Shimada também é investigado por suspeita de participação em operações de lavagem de dinheiro relacionadas ao caso VaideBet, investigação que apura possíveis desvios envolvendo o antigo contrato de patrocínio firmado entre a empresa de apostas e o Corinthians.
A defesa de Victor Shimada informou, em nota, que tomou conhecimento da operação apenas após sua deflagração e afirmou ainda não ter acesso às decisões judiciais nem aos elementos que fundamentam as medidas adotadas. Segundo os advogados, uma manifestação sobre o mérito das acusações será feita somente após análise dos autos.
⚖️ Crimes investigados
De acordo com a Polícia Federal, os investigados poderão responder, conforme o avanço das apurações, pelos crimes de:
- associação criminosa;
- lavagem de dinheiro;
- evasão de divisas;
- além de outros delitos que eventualmente sejam identificados durante o andamento das investigações.
A PF informou que as diligências continuam e novas medidas poderão ser adotadas conforme a evolução do inquérito.



