📊 Ministério da Saúde contabilizou 1.138 óbitos no território Yanomami entre 2023 e 2025, contra 951 entre 2019 e 2021; dados também mostram queda após o pico registrado em 2023
O Brasil registrou 1.138 mortes de indígenas no Território Yanomami entre 2023 e 2025, nos três primeiros anos do governo Luiz Inácio Lula da Silva. O número supera os 951 óbitos registrados entre 2019 e 2021, período correspondente aos três primeiros anos da gestão de Jair Bolsonaro. Os dados constam de relatório do Ministério da Saúde encaminhado ao Congresso Nacional.
📊 Números ano a ano
Durante os três primeiros anos do governo Lula, foram contabilizados:
- 2023: 435 mortes
- 2024: 347 mortes
- 2025: 356 mortes
- Total: 1.138 óbitos
No período equivalente do governo Bolsonaro:
- 2019: 263 mortes
- 2020: 334 mortes
- 2021: 354 mortes
- Total: 951 óbitos
A diferença entre os dois períodos é de 187 mortes, ou aproximadamente 19,7% a mais no recorte de 2023 a 2025.
🏥 Principais causas registradas
Entre as causas de morte identificadas no período estão infecções respiratórias agudas, desnutrição e malária. As infecções respiratórias responderam por 219 óbitos, enquanto a desnutrição foi associada a 104 mortes e a malária, a 47.
O número de mortes, porém, não apresentou crescimento contínuo durante o governo Lula. O maior volume ocorreu em 2023, com 435 óbitos. Em 2024, houve redução para 347, seguida de uma pequena alta para 356 em 2025.
⛏️ Garimpo ilegal continua sendo um dos principais obstáculos
Relatórios sobre a crise Yanomami apontam que o garimpo ilegal e a presença de grupos criminosos armados continuam dificultando o acesso de equipes de saúde e fiscalização a determinadas comunidades.
Também são relatados problemas logísticos, dependência do transporte aéreo, dificuldades no abastecimento de medicamentos e limitações na estrutura de atendimento à população indígena.
A comparação entre os governos, entretanto, não permite concluir isoladamente que a gestão federal atual tenha causado o número maior de mortes. A situação Yanomami envolve problemas acumulados ao longo de anos, além de fatores sanitários, ambientais, logísticos e de segurança. O próprio histórico mostra que as mortes já vinham em patamar elevado antes de 2023.
⚠️ Comparação exige contexto
Os 1.138 óbitos de 2023 a 2025 superam numericamente os 951 registrados de 2019 a 2021, mas são recortes equivalentes de três anos — e não uma comparação entre os governos completos.
O dado mais relevante é, portanto, a dimensão persistente da crise humanitária no território Yanomami e a dificuldade do Estado brasileiro em reduzir de forma consistente as mortes evitáveis.



