🚗 Mudança entra em vigor por 180 dias e divide opiniões entre governo, indústria automotiva e especialistas sobre impactos nos veículos
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que passará de 30% para 32%. A medida terá validade inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação por mais seis meses, e busca ampliar o uso de biocombustíveis produzidos no país diante da instabilidade do mercado internacional de petróleo.
Segundo o governo federal, a decisão pretende reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados, fortalecer a matriz energética brasileira e ampliar a participação de fontes renováveis no abastecimento nacional.
O anúncio, no entanto, gerou diferentes avaliações entre representantes da indústria automobilística, engenheiros e entidades ligadas ao setor de biocombustíveis.
De acordo com o CNPE, os testes realizados indicaram que a mistura E32 apresentou desempenho semelhante ao das formulações anteriores, sem impactos relevantes no funcionamento dos veículos avaliados, incluindo modelos equipados com motores exclusivamente a gasolina.
Já especialistas da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) alertam que veículos mais antigos ou sem calibração específica para concentrações mais elevadas de etanol podem apresentar aumento no consumo de combustível, desgaste acelerado de componentes, corrosão e dificuldades de partida em determinadas situações.
Entre os componentes que exigem maior atenção estão o sistema de alimentação, bombas de combustível, bicos injetores, mangueiras, vedações e velas de ignição, especialmente em automóveis fabricados há décadas ou importados sem adaptação para combustíveis com maior teor de etanol.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) afirmou apoiar o uso de biocombustíveis, mas defendeu que qualquer ampliação da mistura seja precedida por testes técnicos rigorosos para garantir a compatibilidade da frota brasileira.
Por outro lado, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) informou que os estudos realizados no âmbito do programa Combustível do Futuro demonstram a viabilidade técnica da nova mistura. Segundo a entidade, o setor possui capacidade para atender ao aumento da demanda por etanol e a medida poderá reduzir a importação de gasolina, além de ampliar a utilização de combustível renovável produzido no Brasil.
Enquanto a nova composição começa a ser implementada, especialistas recomendam que proprietários de veículos antigos ou importados mantenham a manutenção preventiva em dia e observem eventuais alterações no desempenho do automóvel.



