📉 Dívida pública elevada, queda histórica da Bolsa e divergências dentro do governo sobre o ajuste das contas estão entre os desafios apontados pela revista para a próxima gestão presidencial.
Uma análise publicada pela revista Crusoé, intitulada “Apertem os cintos”, aponta riscos econômicos e políticos para o quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a publicação, o governo não apresentou sinais concretos de que pretende corrigir os problemas fiscais acumulados durante a atual gestão.
O texto critica a condução das contas públicas e afirma que Lula e seus aliados deram declarações indicando a continuidade da política econômica adotada no terceiro mandato.
Um dos principais pontos abordados é o crescimento da dívida pública. Segundo os dados citados na análise, o endividamento bruto do país chegou a aproximadamente 82% do Produto Interno Bruto (PIB). A revista também questiona o funcionamento do arcabouço fiscal, implementado em 2023 para substituir o antigo teto de gastos.
A publicação argumenta que a margem de tolerância estabelecida para o cumprimento das metas fiscais acabou permitindo que o governo trabalhasse próximo do limite inferior, em vez de buscar o centro da meta.
A reação do mercado financeiro também aparece entre os pontos destacados. Após a vitória eleitoral de Lula, o Ibovespa registrou queda de 13,88% em um único pregão, em 26 de outubro, movimento apontado como o maior recuo diário desde março de 2020, durante a pandemia de Covid-19.
Outro aspecto abordado é a discussão sobre um possível ajuste fiscal. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo pretende encaminhar ao Congresso uma proposta para tornar obrigatória a busca pelo centro da meta fiscal.
Entretanto, a iniciativa ocorre em meio a divergências dentro do próprio governo. O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que um pacote de ajuste fiscal não havia sido discutido pelo governo, indicando diferenças de posicionamento entre integrantes da administração federal.
A análise também reproduz uma avaliação do economista Roberto Ellery, segundo a qual Lula já demonstrou capacidade de realizar cortes de gastos durante seu primeiro mandato, mas ainda precisa demonstrar disposição política para promover um ajuste nas contas públicas.
Com isso, a publicação aponta que o próximo governo deverá enfrentar desafios relacionados ao endividamento, ao equilíbrio fiscal e à capacidade de conciliar despesas públicas com crescimento econômico. As decisões tomadas nos próximos meses poderão influenciar a trajetória econômica do país durante o quarto mandato presidencial.


