⚡ Aliados de Flávio Bolsonaro consideram precipitada a manifestação do governador paulista, que mencionou uma possível candidatura poucos dias após a derrota do senador para Lula.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), provocou desconforto entre integrantes do Partido Liberal (PL) ao admitir a possibilidade de disputar a Presidência da República em 2030. A declaração ocorreu apenas quatro dias após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial de 2026.
Segundo relatos de integrantes do PL, aliados de Flávio consideraram inoportuno o momento escolhido pelo governador para falar sobre suas pretensões presidenciais. Parte do grupo avaliou que Tarcísio se antecipou à disputa e tentou ocupar espaço político enquanto o senador ainda busca preservar sua liderança no movimento bolsonarista.
A repercussão ocorre em meio às articulações sobre o futuro da direita brasileira. Flávio, segundo a reportagem, pretende continuar à frente da oposição ao governo Lula e discute com Eduardo Bolsonaro e aliados nos Estados Unidos a possibilidade de anunciar uma nova candidatura à Presidência em 2030. A senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) também aparece entre os nomes que despertam atenção nas disputas internas pelo protagonismo político.
A desconfiança de parte dos aliados de Flávio em relação a Tarcísio, porém, não começou com a declaração recente. Durante a campanha presidencial, o governador apoiou publicamente a candidatura do senador, participou de agendas ao seu lado, viajou com ele e colaborou na preparação para debates. Mesmo assim, integrantes do entorno de Flávio consideravam que o governador poderia ter demonstrado maior empenho na campanha.
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Tarcísio afirmou que uma eventual candidatura presidencial dependerá do cenário político e dos resultados de seu segundo mandato à frente do governo paulista.
O governador ressaltou que uma decisão desse tipo não seria tomada individualmente e afirmou que sua prioridade é cumprir o mandato para o qual foi reeleito em primeiro turno. Sobre a disputa presidencial, resumiu: “2030 é outra conversa”.
Enquanto isso, parlamentares da oposição avaliam que ainda é cedo para discutir a sucessão presidencial. Para esses integrantes, a prioridade neste momento deve ser reorganizar a oposição e definir sua atuação no Congresso Nacional a partir de 2027.


