Dois anos após o encerramento da primeira edição do Desenrola Brasil, o número de brasileiros inadimplentes voltou a crescer e atingiu 82,8 milhões de pessoas no país.
Segundo dados apresentados na nova fase do programa, o total de endividados aumentou em 10,3 milhões desde o fim do primeiro mutirão de renegociação, reacendendo o debate sobre juros altos, custo de vida e falta de educação financeira no Brasil.
📈 Juros altos e inflação pressionam famílias
Especialistas apontam que o aumento da inadimplência está ligado a uma combinação de fatores econômicos e sociais.
Entre os principais motivos citados estão:
- juros elevados;
- inflação persistente;
- aumento do custo de vida;
- renda insuficiente;
- crédito caro;
- desemprego pós-pandemia.
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o país vive um “efeito sanfona” provocado pelas oscilações da taxa Selic e pelos impactos econômicos deixados pela pandemia da Covid-19.
🛒 Alimentação, moradia e transporte seguem consumindo renda
Economistas afirmam que, mesmo após renegociarem dívidas, muitas famílias continuaram comprometendo grande parte da renda com despesas básicas.
Gastos com:
- alimentação;
- aluguel;
- energia;
- combustível;
- transporte;
seguem pressionando o orçamento dos brasileiros, empurrando parte da população novamente para o endividamento.
📲 Crédito fácil e falta de educação financeira preocupam especialistas
Outro ponto destacado é o crescimento acelerado do acesso ao crédito digital.
Segundo especialistas ouvidos pelo g1, milhões de brasileiros passaram a ter acesso rápido a:
- cartões;
- empréstimos;
- financiamentos;
- crédito online;
sem preparo adequado para administração financeira.
Para analistas do setor, a ausência de educação financeira estrutural contribui para ciclos repetidos de inadimplência.
💰 Primeiro Desenrola renegociou mais de R$ 53 bilhões
Apesar do novo aumento no número de inadimplentes, o governo considera que a primeira edição do programa teve impacto positivo.
Dados oficiais apontam que o Desenrola 1:
- beneficiou 14,8 milhões de pessoas;
- renegociou R$ 53,2 bilhões;
- ofereceu descontos superiores a 90% em alguns casos.
As renegociações envolveram principalmente:
- dívidas bancárias;
- cartão de crédito;
- pendências financeiras de baixa renda.
🔄 Governo aposta no Desenrola 2.0 para conter avanço da inadimplência
A nova fase do programa prioriza famílias com renda de até cinco salários mínimos e amplia medidas para renegociação de pequenos débitos.
Segundo o Ministério da Fazenda, o Desenrola 2.0 já registrou:
- 449 mil dívidas quitadas à vista;
- desconto médio de 85%;
- mais de 685 mil refinanciamentos.
O governo espera que a nova etapa tenha maior impacto caso o cenário de juros comece a melhorar nos próximos meses.
⚠️ Especialistas defendem mudanças estruturais
Economistas afirmam que programas de renegociação ajudam momentaneamente, mas não resolvem o problema de forma definitiva.
Entre os desafios apontados estão:
- baixa renda média;
- informalidade;
- crédito caro;
- falta de educação financeira;
- dependência do parcelamento.
Analistas defendem políticas voltadas ao aumento do poder de compra e maior educação financeira nas escolas para evitar novos ciclos de endividamento.



