A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (3), a Operação Exchange, que investiga uma organização criminosa suspeita de movimentar recursos provenientes do tráfico internacional de drogas por meio de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro. Entre os presos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, secretária e parente do empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, ambos recentemente alvo de sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
A operação é um novo desdobramento das investigações conduzidas pelas autoridades brasileiras e ocorre poucos dias após o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos aplicar sanções econômicas contra pessoas e empresas apontadas como integrantes de uma rede internacional de lavagem de dinheiro associada à facção criminosa.
👤 Quem é Stella Stefanie
Segundo as investigações da Polícia Federal e das autoridades norte-americanas, Stella Stefanie atuava como secretária de Victor Shimada e exercia funções consideradas estratégicas dentro da estrutura financeira investigada.
O governo dos Estados Unidos afirma que ela era responsável por auxiliar na logística das operações financeiras da organização, intermediando a coleta de grandes quantias em dinheiro e prestando suporte administrativo às empresas utilizadas no esquema.
Até o momento, Stella não possui antecedentes criminais nem responde a outros processos judiciais, conforme informações obtidas pelo g1.
🔍 Victor Shimada continua foragido
Enquanto Stella foi presa pela Polícia Federal, Victor Henrique de Oliveira Shimada segue sendo procurado pelos investigadores.
Empresário e sócio da Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda., além da empresa portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda, Shimada é apontado pelas autoridades norte-americanas como um dos principais operadores financeiros do esquema.
Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, ele seria um elo entre integrantes do PCC na Flórida e traficantes internacionais, utilizando criptomoedas para movimentar recursos ilícitos e enviar valores ao Brasil. As autoridades americanas afirmam que ele teria lavado mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) provenientes do tráfico internacional.
A defesa do empresário nega qualquer envolvimento com organização criminosa ou lavagem de dinheiro e afirma que só irá se manifestar de forma detalhada após ter acesso integral aos autos da investigação.
💰 Empresas também foram alvo de sanções
Além das duas pessoas físicas, o governo norte-americano aplicou sanções contra empresas brasileiras e uma companhia sediada em Portugal.
Segundo os EUA, essas empresas fariam parte da estrutura utilizada para ocultar recursos e facilitar operações financeiras relacionadas ao PCC.
As medidas incluem bloqueio de ativos sob jurisdição americana e restrições à realização de operações financeiras envolvendo o sistema bancário dos Estados Unidos.
⚽ Nome também aparece em investigação envolvendo o Corinthians
No Brasil, Victor Shimada também é investigado em outro caso de grande repercussão: a apuração sobre supostos desvios de recursos do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a antiga patrocinadora VaideBet.
De acordo com denúncia apresentada pelo Ministério Público, a empresa Victory Trading aparece em uma cadeia de movimentações financeiras envolvendo outras empresas investigadas por possível lavagem de dinheiro.
Os investigadores afirmam que Shimada teria atuado como operador financeiro em transações destinadas a ocultar a origem dos recursos. A defesa contesta as acusações.
Além desse caso, o empresário responde a processos por ameaça, violência doméstica, injúria e lesão corporal, sem relação direta com as investigações envolvendo organizações criminosas.
🌎 Sanções fazem parte da nova estratégia dos EUA
As punições impostas pelo governo norte-americano representam a primeira rodada de sanções econômicas aplicada contra pessoas e empresas brasileiras após a classificação do PCC e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais pelas autoridades dos Estados Unidos.
No comunicado oficial, o Departamento do Tesouro voltou a definir o PCC como “a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental”, afirmando que a facção representa uma ameaça crescente à segurança nacional americana e utiliza estruturas financeiras internacionais para lavar dinheiro.
Segundo as autoridades dos EUA, uma investigação conduzida na Flórida já havia levado à prisão de outros integrantes da mesma rede neste ano.
🚔 Operação segue em andamento
A Polícia Federal informou que as investigações continuam para localizar Victor Shimada e identificar outros envolvidos na organização.
Os investigados poderão responder, entre outros crimes, por:
- Associação criminosa;
- Lavagem de dinheiro;
- Evasão de divisas;
- Crimes financeiros;
- Outros delitos que eventualmente sejam identificados durante o avanço das investigações.
A expectativa é de que novas diligências sejam realizadas nos próximos dias para aprofundar o rastreamento das movimentações financeiras e da estrutura utilizada pelo grupo.



