🔎 Polícia Civil ainda não identificou a origem dos tiros fatais; cinco policiais militares foram afastados enquanto a investigação apura as circunstâncias da ocorrência
Jefferson Dias da Silva, conhecido como Jefferson da Linave, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Queimados e ex-vereador, morreu baleado durante uma abordagem policial na noite de segunda-feira (19), na Avenida Brasil, na altura da Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro.
Segundo informações publicadas pelo g1, os policiais militares envolvidos na ocorrência relataram à Polícia Civil que ouviram disparos em diferentes momentos da perseguição. Um dos agentes afirmou ter efetuado sete tiros com um fuzil calibre 7,62 mm, alegando ter percebido uma “situação de perigo iminente”.
A portaria que instaurou o inquérito da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) informa que, até o momento, não foi possível determinar de quais armas partiram os disparos que atingiram Jefferson. Também não havia confirmação de que ele estivesse armado.
🚔 Policiais relatam ordens de parada e perseguição
De acordo com os depoimentos registrados pela Polícia Civil, os agentes do 22º Batalhão de Polícia Militar (BPM), responsável pela região da Maré, receberam pelo rádio informações de que um BYD branco trafegava em alta velocidade e com uma das rodas aparentemente em chamas.
Os policiais disseram ter localizado o veículo nas proximidades do Complexo da Maré e ordenado que o motorista desligasse o motor e desembarcasse. Segundo os agentes, Jefferson não obedeceu. Nesse momento, eles afirmaram ter ouvido disparos, e um dos policiais relatou ter atirado contra uma das rodas traseiras do carro.
Ainda conforme os depoimentos, o veículo continuou pela Avenida Brasil e passou por outros dois pontos de bloqueio. Os agentes também alegaram que o motorista realizou manobras que colocaram a equipe em risco.
Nas proximidades da Nova Holanda, os policiais disseram ter ouvido novos tiros vindos de um dos acessos à comunidade e afirmaram que reagiram.
Agente relata sete disparos de fuzil
Segundo o documento da investigação, uma viatura interceptou o BYD na região da Passarela 14. O carro perdeu o controle, rodou na pista e bateu na mureta de proteção.
Os policiais afirmaram que, mesmo após a colisão, Jefferson tentou manobrar de marcha a ré para fugir. De acordo com os relatos, os agentes efetuaram novos disparos contra os pneus.
Policiais do Batalhão Tático de Motociclistas (BTM), que davam apoio à ocorrência, também relataram ter ouvido tiros. Um deles declarou ter feito sete disparos com um fuzil calibre 7,62 mm diante do que descreveu como uma situação de perigo iminente.
Após a imobilização do veículo, os agentes se aproximaram e quebraram um dos vidros para acessar o interior. Jefferson foi encontrado sem vida, atingido por disparos.

⚖️ Polícia Civil realiza perícias para esclarecer a morte
A Delegacia de Homicídios instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da morte. A investigação prevê perícias nas armas utilizadas pelos policiais que efetuaram disparos e, se possível, exames de confronto balístico para identificar a origem dos tiros.
A Polícia Civil também determinou a obtenção de imagens da ocorrência e dos exames realizados no corpo da vítima.
Vídeos gravados por motoristas mostram policiais atirando em direção ao carro do secretário. As armas dos agentes envolvidos foram apreendidas para perícia, e a Corregedoria-Geral da Polícia Militar abriu um procedimento interno para apurar a conduta dos militares.
O governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, determinou o afastamento de cinco policiais militares envolvidos na abordagem.
Até a última atualização da reportagem, a investigação ainda não havia identificado qual arma provocou os disparos fatais. Os relatos sobre os tiros ouvidos durante a perseguição e as justificativas apresentadas pelos agentes permanecem sob apuração.



