⚖️ Luiz Carlos Pereira Martins participou da invasão do Pavilhão 9 em 1992 e hoje é citado em investigação sobre sua proximidade com operadores financeiros ligados à facção
O coronel aposentado da Polícia Militar de São Paulo Luiz Carlos Pereira Martins, de 60 anos, que atualmente é citado em investigações sobre sua suposta proximidade com operadores financeiros do Primeiro Comando da Capital (PCC), participou da operação policial que resultou no Massacre do Carandiru, em 2 de outubro de 1992.
Na época, Martins ainda era tenente do Comando de Policiamento de Choque da PM paulista. Ele integrou a equipe que entrou no Pavilhão 9 da Casa de Detenção de São Paulo, durante a intervenção policial que terminou com a morte de 111 detentos.
A participação do oficial no episódio histórico é agora resgatada em meio às investigações que apuram suas relações com pessoas apontadas pelo Ministério Público como integrantes do núcleo financeiro do PCC.
🏛️ ATUAÇÃO NO CARANDIRU
Durante a operação de 1992, Martins participou da invasão e varredura do Pavilhão 9, ao lado dos então tenentes Nivaldo César Restivo e Marcelo Streifinger.
Os três posteriormente seguiram carreira na Polícia Militar e chegaram ao posto de coronel. Restivo e Streifinger também ocuparam cargos de destaque na administração pública paulista.
Martins foi processado posteriormente por lesão corporal grave contra um detento rendido durante a ação. Entretanto, é importante destacar que ele não foi acusado pelos homicídios dos 111 presos.
O episódio ficou marcado como um dos acontecimentos mais graves da história da segurança pública brasileira e provocou décadas de disputas judiciais envolvendo os policiais que participaram da operação.
Entre 2013 e 2014, 74 policiais militares foram condenados pelas mortes. Anos depois, porém, as condenações tiveram seus efeitos penais extintos pela Justiça.
🔎 CORONEL É CITADO EM INVESTIGAÇÃO SOBRE O PCC
Atualmente, Martins é citado em investigações que apuram sua proximidade e relações de amizade com operadores financeiros apontados como ligados ao PCC.
Os nomes aparecem no contexto da Operação Janus, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Segundo a investigação, foram encontradas mensagens e outros registros que indicariam uma relação próxima entre o coronel e pessoas investigadas por movimentações financeiras relacionadas à organização criminosa.
Um dos elementos analisados foi a participação de Martins em um grupo de WhatsApp chamado “Aniversário general”, que reunia pessoas de seu círculo social. Também foram encontradas fotografias do coronel ao lado de um dos investigados em uma confraternização.
📱 MENSAGENS ENTRARAM NO RADAR DOS INVESTIGADORES
As investigações também identificaram conversas nas quais Martins teria se colocado à disposição para intermediar contatos com autoridades e políticos em determinadas situações.
Esse material passou a ser analisado pelos investigadores para determinar a natureza e a extensão da relação entre o oficial e os operadores financeiros investigados.
Além disso, o nome do coronel aparece em documentação relacionada a investigações da Polícia Federal sobre a atuação de operadores e doleiros ligados ao PCC.
⚠️ MARTINS NÃO FOI ALVO DA OPERAÇÃO JANUS
Apesar de aparecer no material investigativo, há uma distinção importante:
Luiz Carlos Pereira Martins não foi alvo da Operação Janus.
Ou seja, não houve mandado de busca ou outra medida da operação contra ele. O que existe são referências ao coronel nas investigações e indícios de proximidade com pessoas investigadas por ligação financeira com o PCC.
Até o momento, portanto, não é correto afirmar que Martins seja integrante da facção criminosa.
A investigação busca justamente esclarecer qual era a natureza dessa relação e se houve alguma atuação irregular por parte do oficial.
🔗 DO CARANDIRU ÀS INVESTIGAÇÕES ATUAIS
A trajetória de Martins chama atenção porque conecta dois momentos distintos da história da segurança pública paulista.
Em 1992, ainda como tenente, ele participou da operação no Carandiru, episódio que terminou com 111 presos mortos.
Mais de três décadas depois, já como coronel aposentado, seu nome aparece em investigações relacionadas à possível proximidade com integrantes ou operadores financeiros ligados à maior organização criminosa do país.
A associação entre os dois episódios, entretanto, é histórica e investigativa, e não significa que exista qualquer relação entre a atuação de Martins no Carandiru e as suspeitas atuais.
O que está sendo apurado agora é se os contatos mantidos pelo coronel com os investigados ultrapassaram relações pessoais e chegaram a representar favorecimento, intermediação ou algum tipo de colaboração com interesses ligados ao PCC.



