📊 País atinge índice inédito abaixo de 5%, porém desigualdades regionais e raciais persistem
O Brasil alcançou em 2025 a menor taxa de analfabetismo desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o percentual de brasileiros com 15 anos ou mais que não sabem ler nem escrever caiu para 4,9%.
Apesar do avanço, o país ainda contabiliza cerca de 8,4 milhões de analfabetos, demonstrando que o desafio educacional permanece significativo, especialmente entre idosos e nas regiões mais vulneráveis.
🌎 Nordeste Concentra 57,4% dos Analfabetos do País
A região Nordeste continua sendo a mais afetada pelo problema.
Dos 8,4 milhões de brasileiros analfabetos, aproximadamente 4,8 milhões vivem na região, o equivalente a 57,4% do total nacional.
Embora represente apenas 26,5% da população brasileira, o Nordeste concentra mais da metade das pessoas que não foram alfabetizadas.
Entre os estados, os maiores índices continuam sendo observados em regiões nordestinas, com destaque para Alagoas e Piauí.
📉 Queda Contínua ao Longo da Década
A redução do analfabetismo tem sido constante nos últimos anos.
Em 2016, a taxa nacional era de 6,7%, representando mais de 10,6 milhões de pessoas analfabetas.
Já em 2025, o índice caiu para 4,9%, uma redução de 0,4 ponto percentual em comparação com 2024, o que corresponde a aproximadamente 592 mil pessoas alfabetizadas a mais em apenas um ano.
O resultado também marca o cumprimento parcial de uma trajetória de redução prevista no Plano Nacional de Educação, embora a meta de erradicação do analfabetismo até 2024 não tenha sido alcançada.
👴 Idosos Representam a Maioria dos Casos
O analfabetismo permanece fortemente concentrado entre as gerações mais velhas.
Entre os brasileiros com 60 anos ou mais, a taxa chega a 13,8%, quase três vezes superior à média nacional.
Dos 8,4 milhões de analfabetos do país, cerca de 4,8 milhões têm mais de 60 anos, representando 58% de todos os casos registrados.
Especialistas apontam que esse cenário é reflexo das dificuldades históricas de acesso à educação enfrentadas por essas gerações durante a infância e juventude.
👩 Mulheres Idosas Passam Homens Pela Primeira Vez
Pela primeira vez desde o início do acompanhamento estatístico, a taxa de analfabetismo entre mulheres idosas ficou abaixo da registrada entre os homens.
Na população com mais de 60 anos:
- Mulheres: 13,7%
- Homens: 14,1%
O resultado é visto como um indicativo dos avanços graduais da escolarização feminina ao longo das últimas décadas.
⚫ Desigualdade Racial Continua Marcante
Apesar dos avanços gerais, a desigualdade racial permanece evidente.
Entre pessoas com mais de 60 anos, a taxa de analfabetismo entre pretos e pardos continua quase três vezes superior à observada entre pessoas brancas da mesma faixa etária.
Os dados reforçam que os efeitos históricos da exclusão educacional ainda impactam fortemente determinados grupos da população brasileira.
🎓 Escolaridade da População Continua Crescendo
A pesquisa também mostra avanços no nível de instrução dos brasileiros.
Em 2025, 57,4% da população com 25 anos ou mais havia concluído pelo menos o ensino médio. Em 2016, esse percentual era de 46%.
Entre os grupos analisados:
- Mulheres com ensino médio completo: 59,4%
- Homens com ensino médio completo: 55,2%
- Pessoas brancas com ensino médio completo: 64,9%
- Pessoas pretas ou pardas com ensino médio completo: 51,3%
Pela primeira vez, mais da metade da população preta e parda brasileira concluiu a educação básica obrigatória.
🎓 Ensino Superior Também Avança
Outro indicador positivo é o crescimento do acesso ao ensino superior.
A proporção de brasileiros com 25 anos ou mais que concluíram a graduação aumentou de 15,4% em 2016 para 21,4% em 2025.
Além disso, a média nacional de anos de estudo subiu de 9,1 para 10,2 anos no período.
As mulheres continuam apresentando maior escolaridade média (10,4 anos) do que os homens (10 anos), enquanto a diferença entre brancos e pretos ou pardos ainda permanece significativa.
⚠️ EJA Enfrenta Redução de Matrículas
Apesar do grande número de adultos que ainda precisam ser alfabetizados, especialistas alertam para a redução das matrículas na Educação de Jovens e Adultos (EJA).
A modalidade, destinada a pessoas que não tiveram acesso à escola na idade adequada, registra atualmente o menor número de matrículas desde o início da série histórica, em 1996.
Educadores apontam que a concentração de turmas em poucas escolas e o fechamento de unidades têm dificultado o acesso de milhões de brasileiros que ainda necessitam concluir sua formação básica.



