💰 Contas públicas registram rombo equivalente a 10% do PIB até junho de 2026; déficit primário e custo da dívida elevam preocupação fiscal
As contas do setor público consolidado registraram déficit nominal de R$ 1,32 trilhão no acumulado de 12 meses até junho de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central do Brasil (BC). O valor representa aproximadamente 10% do Produto Interno Bruto (PIB) e inclui tanto o resultado primário quanto os gastos com juros da dívida pública.
O resultado nominal é um dos principais indicadores acompanhados pelo mercado financeiro e por agências internacionais de classificação de risco, pois influencia a avaliação sobre a sustentabilidade das contas públicas e a capacidade de pagamento dos países.
📊 Resultado de junho e composição do déficit
Em junho de 2026, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 55,3 bilhões, ou seja, as despesas superaram as receitas antes da contabilização dos juros da dívida.
A composição do resultado mensal ficou da seguinte forma:
- 🏛️ Governo Federal: déficit primário de aproximadamente R$ 47,2 bilhões;
- 🏙️ Estados e municípios: déficit de cerca de R$ 6,6 bilhões;
- 🏢 Empresas estatais: resultado negativo informado de aproximadamente R$ 1,47 bilhão.
No acumulado do primeiro semestre de 2026, as contas públicas registraram déficit primário de R$ 80,2 bilhões, equivalente a cerca de 1,2% do PIB, representando uma piora em relação ao mesmo período do ano anterior, quando houve superávit.
💸 Juros da dívida são principal fator do déficit nominal
Apesar do resultado primário negativo, o principal componente que elevou o déficit para a casa do trilhão foi o pagamento de juros nominais da dívida pública.
Segundo o Banco Central, os juros acumulados em 12 meses chegaram a aproximadamente R$ 1,16 trilhão, equivalente a 8,8% do PIB.
A pressão ocorre em um cenário de taxa Selic elevada, que aumenta o custo de financiamento da dívida pública e impacta diretamente o resultado nominal.
📌 Precatórios e pressão sobre as contas
Entre os fatores que influenciaram a piora fiscal está a antecipação de pagamentos de precatórios — valores devidos pelo governo após decisões judiciais definitivas — realizada pela Secretaria do Tesouro Nacional.
A medida elevou as despesas no primeiro semestre e contribuiu para o resultado negativo registrado no período.
⚠️ Impactos e próximos desafios
A sequência de déficits fiscais aumenta a pressão sobre a dívida pública, tornando o equilíbrio das contas um dos principais desafios econômicos do país.
Pela regra do arcabouço fiscal, o governo possui uma meta para o resultado das contas públicas, com uma margem de tolerância prevista em lei e possibilidade de exclusão de determinadas despesas, como pagamentos de precatórios e investimentos específicos.
O desempenho fiscal continuará sendo acompanhado por investidores, economistas e instituições internacionais devido aos impactos sobre juros, dívida pública e confiança na economia brasileira.



