🗺️ Iniciativa apoia a projeção Equal Earth para reduzir distorções da tradicional Mercator, mas não determina o abandono dos mapas atualmente utilizados
A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, na sexta-feira (4), uma resolução que incentiva governos, organizações internacionais e instituições a adotarem projeções cartográficas que representem de forma mais proporcional o tamanho dos continentes.
A proposta recebeu 164 votos favoráveis, com um voto contrário e seis abstenções. A iniciativa é conhecida como “Corrija o mapa” e conta com o apoio da União Africana.
A resolução dá destaque à projeção Equal Earth, desenvolvida para representar as áreas dos continentes de maneira mais próxima das proporções reais. O modelo reduz uma das principais distorções da projeção de Mercator, utilizada há séculos e criada originalmente para facilitar a navegação marítima.
🌎 Por que a Mercator distorce os tamanhos?
A projeção de Mercator representa a Terra esférica em uma superfície plana. Para preservar determinadas características úteis à navegação, porém, ela aumenta progressivamente o tamanho aparente das regiões à medida que elas se afastam da Linha do Equador.
Por isso, territórios próximos aos polos podem parecer muito maiores do que realmente são.
Um exemplo conhecido é a comparação entre África e Groenlândia. Em mapas baseados na Mercator, a Groenlândia pode aparentar ter dimensões semelhantes às da África. Na realidade, o continente africano possui uma área aproximadamente 14 vezes maior.
O mesmo princípio faz com que regiões próximas ao Equador, como partes da África e da América do Sul, pareçam relativamente menores em determinadas representações.
🗺️ Equal Earth busca preservar melhor as áreas
A projeção Equal Earth, apoiada pela iniciativa, procura manter uma relação mais fiel entre as áreas dos continentes. Com ela, a África, a América do Sul e outras regiões próximas ao Equador aparecem visualmente maiores em comparação com a representação tradicional de Mercator.
Isso não significa, porém, que a Equal Earth seja um mapa perfeito. Toda projeção cartográfica produz algum tipo de distorção, já que é impossível representar uma superfície esférica em uma folha de papel ou tela sem alterar alguma característica — como área, forma, distância ou direção.
A projeção de Gall-Peters, por exemplo, também prioriza a preservação das áreas, mas produz outras distorções de forma.
⚠️ Mercator não será proibida
A decisão da ONU não determina que a projeção de Mercator seja abandonada ou substituída imediatamente.
A resolução funciona como uma recomendação para que diferentes instituições considerem modelos capazes de representar melhor as proporções territoriais, especialmente em contextos educacionais e materiais destinados à compreensão das dimensões dos continentes.
A Mercator continuará tendo aplicações específicas, sobretudo relacionadas à navegação, justamente pela característica que tornou essa projeção tão importante historicamente.
📚 O que muda na prática?
A principal mudança defendida pela ONU é visual e educacional. Mapas utilizados em escolas, materiais didáticos, meios de comunicação e documentos institucionais poderão recorrer mais frequentemente a projeções que permitam uma comparação mais fiel entre as áreas dos territórios.
Assim, países e continentes que aparecem superdimensionados ou subdimensionados em determinadas projeções poderão ser apresentados de maneira mais proporcional.
Os continentes, evidentemente, não mudaram de tamanho. O que muda é a maneira como eles são representados em um mapa plano.
A resolução também chama atenção para os possíveis efeitos educacionais, culturais e geopolíticos das representações cartográficas, já que os mapas contribuem para a percepção que as pessoas desenvolvem sobre o tamanho e a localização das diferentes regiões do planeta.
📌 Em resumo
A ONU não criou um novo mapa obrigatório para o mundo. O que foi aprovado foi uma resolução que incentiva o uso de projeções mais proporcionais, com destaque para a Equal Earth, como alternativa às representações que ampliam visualmente regiões próximas aos polos.
A mudança busca tornar a representação das dimensões dos continentes mais fiel, sem eliminar outras projeções que possuem finalidades específicas.



