📄 Metadados de arquivo analisado pela PF apontam o usuário associado ao ministro Alexandre de Moraes como responsável pela última alteração de uma minuta contratual entre a banca de sua esposa e o então dono do Banco Master
Registros digitais obtidos durante as investigações sobre o Banco Master apontam que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria sido o responsável pela última modificação de um arquivo contendo a minuta de um contrato de aproximadamente R$ 130 milhões entre o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o empresário Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master.
A informação foi divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela TV Globo. Segundo relatório da Polícia Federal (PF), os metadados do documento extraído do celular de Vorcaro registram o usuário denominado “Ministro Alexandre de Moraes” como responsável pela última modificação do arquivo.
De acordo com o relatório, a alteração teria ocorrido às 16h30 do dia 11 de janeiro de 2024. O documento tinha como título “MINUTA DE CONTRATO” e também apresentava outro usuário, identificado como “Guilherme Benazzi”, como autor.
O contrato previa a prestação de serviços jurídicos e consultoria estratégica pelo escritório Barci de Moraes, com honorários globais que chegavam a aproximadamente R$ 130 milhões.
💼 Escritório afirma que consultou Moraes antes do contrato
Em nota, o escritório de Viviane Barci de Moraes afirmou que seu setor de compliance consultou Alexandre de Moraes, na condição de marido da sócia-diretora, sobre a existência de possíveis impedimentos legais para a contratação.
Segundo a banca, foram avaliadas questões como a existência de processos envolvendo o Banco Master sob relatoria do ministro ou sua participação em julgamentos de interesse da instituição.
O escritório sustenta que não havia impedimento legal, pois, segundo a nota, Moraes jamais havia julgado uma causa envolvendo o Banco Master. Com isso, o contrato teria sido firmado e os serviços prestados.
A existência do registro nos metadados, entretanto, não comprova por si só qual foi o conteúdo da alteração feita por Moraes nem significa necessariamente que ele tenha negociado ou elaborado o contrato. O dado indica apenas, segundo o relatório da PF, que o usuário associado ao ministro aparece como responsável pela última modificação do arquivo.
🏦 Contrato envolvendo Vorcaro ocorre em meio às investigações sobre o Master
O episódio ganha relevância dentro de uma investigação mais ampla sobre as relações de Daniel Vorcaro com autoridades e instituições públicas.
Mensagens encontradas pela PF no celular do empresário também mencionam o ministro Alexandre de Moraes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Em uma das mensagens, Vorcaro pede que fosse reforçada a necessidade de “proteção” junto a Gonet e Andrei. O ministro André Mendonça, relator das investigações envolvendo o Banco Master no STF, posteriormente solicitou esclarecimentos à PGR sobre o conteúdo dessas comunicações.
Assim, os registros sobre o contrato entre o escritório de Viviane Barci de Moraes e Vorcaro passam a integrar um conjunto de informações que está sendo analisado pelas autoridades. Até o momento, os elementos divulgados não estabelecem, por si sós, uma conclusão sobre eventual ilegalidade ou conflito de interesses.



