🔬 Encontro ocorreu em 11 de maio de 1925, no Rio de Janeiro; físico registrou em seu diário uma impressão positiva sobre o psiquiatra baiano, que modernizou a assistência aos pacientes e combateu o racismo científico
Em 11 de maio de 1925, durante sua primeira visita ao Brasil, o físico alemão Albert Einstein esteve no Hospício Nacional de Alienados, no Rio de Janeiro, acompanhado pelo médico Juliano Moreira, então diretor da instituição. O encontro colocou Einstein diante de um dos principais nomes da psiquiatria brasileira e de um projeto de modernização da assistência aos pacientes.
Após a visita, Einstein registrou em seu diário uma impressão positiva sobre Moreira, descrevendo o diretor do hospício como uma pessoa “especialmente virtuosa”. Naquele período, Moreira também era vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), instituição da qual seria presidente entre 1926 e 1929.
🏥 Reforma no tratamento psiquiátrico
Nascido em Salvador, na Bahia, em 1872, Moreira ingressou ainda jovem na Faculdade de Medicina da Bahia e construiu uma carreira de projeção nacional e internacional. A partir de 1903, assumiu a direção do Hospício Nacional de Alienados, onde permaneceu por décadas e promoveu uma ampla reforma da instituição.
Durante sua gestão, foram instalados laboratórios e renovado o corpo clínico, com a participação de especialistas de diferentes áreas. Moreira também aboliu o uso de coletes e camisas de força, retirou grades de ferro das janelas e separou as enfermarias destinadas a adultos e crianças.
As mudanças faziam parte de uma concepção de assistência que buscava substituir métodos físicos de repressão por práticas médicas mais modernas. Moreira também atuou na formação de profissionais e na organização da assistência pública aos pacientes psiquiátricos.
⚖️ Combate ao racismo científico
Moreira também se destacou pela oposição às teorias racistas que tinham influência em setores da medicina brasileira no início do século XX. Ele contestava explicações que atribuíam à raça ou à miscigenação a origem de doenças mentais e defendia a consideração de fatores como alcoolismo, sífilis, verminoses e condições sanitárias e educacionais.
Sua atuação ultrapassou a psiquiatria. Moreira participou da criação de sociedades e periódicos científicos, representou o Brasil em congressos internacionais e integrou instituições científicas no país e no exterior. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Ciências e presidiu a entidade de 1926 a 1929.
🌎 Uma trajetória de projeção internacional
O médico participou de congressos na Europa e recebeu homenagens no exterior. Em 1928, viajou ao Japão, onde realizou conferências em universidades e recebeu a Ordem do Tesouro Sagrado, concedida pelo imperador japonês.
A trajetória de Moreira fez dele uma figura de destaque na história da ciência brasileira, enquanto sua passagem pela Academia Brasileira de Ciências o colocou também no circuito científico que recebeu Einstein durante a viagem do físico ao país.
Juliano Moreira morreu em 2 de maio de 1933, aos 61 anos, no Sanatório de Correias, em Petrópolis, durante tratamento contra a tuberculose.



