Uma investigação da Polícia Federal revelou o avanço do Comando Vermelho (CV) sobre o garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso. Segundo as apurações, a facção passou a controlar áreas de mineração clandestina e utiliza o ouro extraído ilegalmente como moeda de troca para obter armamentos e drogas em países vizinhos.
A descoberta faz parte de uma grande operação integrada do Governo Federal para combater o garimpo ilegal, o crime organizado e os impactos ambientais provocados pela exploração clandestina dentro do território indígena.
⛏️ Facção assumiu o controle do garimpo
De acordo com a Polícia Federal, o Comando Vermelho iniciou sua atuação na região em 2023 oferecendo proteção armada aos garimpeiros ilegais. Com o passar do tempo, a organização ampliou sua influência até assumir o controle de importantes áreas de extração de ouro.
Segundo o delegado da Polícia Federal Rodrigo Vitorino, o ouro passou a ser utilizado pela facção como moeda de troca para aquisição de drogas e armamentos junto a organizações criminosas em países vizinhos.
As investigações também apontam que os criminosos utilizam túneis escavados pelo garimpo para esconder armas, munições e facilitar a fuga durante operações policiais.

🚔 Megaoperação combate atuação do crime organizado
Desde março, uma força-tarefa coordenada pela Casa Civil reúne diversos órgãos federais para desarticular o esquema criminoso instalado na Terra Indígena Sararé.
Até o momento, a operação já resultou em:
- Apreensão de mais de 153 quilos de ouro;
- Apreensão de aproximadamente 42 mil litros de óleo diesel;
- Destruição de 33 túneis clandestinos;
- Destruição de quase 4 toneladas de explosivos;
- Desativação de cerca de 200 acampamentos ilegais;
- Destruição de mais de 800 motores e 31 escavadeiras utilizadas no garimpo;
- Prisão de 72 pessoas envolvidas nas atividades criminosas.
Segundo as autoridades, o prejuízo causado às organizações criminosas ultrapassa R$ 110 milhões.
⚠️ Violência e impactos sobre os povos indígenas
Além da exploração ilegal do ouro, a presença da facção agravou a violência dentro do território indígena. Imagens reunidas pela Polícia Federal mostram criminosos fortemente armados circulando pela região e escoltando máquinas utilizadas na abertura de novas frentes de garimpo.
A Terra Indígena Sararé pertence ao povo Nambikwara e possui cerca de 67 mil hectares. Antes da operação federal, estimava-se que mais de 2 mil pessoas atuavam ilegalmente na extração de ouro na área.
Lideranças indígenas relatam que o avanço do garimpo comprometeu a segurança das comunidades e alterou profundamente a rotina dos moradores.

🌿 Danos ambientais preocupam autoridades
A exploração clandestina também provocou graves impactos ambientais. Em diversos pontos da Terra Indígena Sararé, a retirada intensa de terra atingiu o lençol freático e comprometeu cursos d’água, como o Rio Sararé.
O uso de substâncias como mercúrio e cianeto durante o garimpo preocupa especialistas, que alertam para danos ambientais que podem levar séculos para serem revertidos, afetando a fauna, a flora e a qualidade da água da região.
Enquanto as operações continuam, os indígenas esperam recuperar a segurança e preservar um território considerado essencial para sua cultura e sobrevivência.



