✈️ Reportagem do Fantástico revela métodos usados para levar entorpecentes a aeronaves, incluindo veículos de serviço, áreas sem câmeras e troca de etiquetas de bagagem; quase cinco toneladas de drogas foram apreendidas no aeroporto em 2026, segundo a reportagem
Uma investigação da Polícia Federal (PF) revelou diferentes métodos utilizados por organizações criminosas para movimentar drogas no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Segundo reportagem do Fantástico, funcionários de diferentes setores teriam sido recrutados para facilitar o transporte de entorpecentes até aeronaves e contornar os procedimentos de segurança aeroportuária.
Entre os casos apresentados está o de um funcionário preso após uma perseguição que terminou no telhado do aeroporto. Na ocorrência, foram apreendidos 33 quilos de cocaína. De acordo com a reportagem, os entorpecentes teriam sido transportados na caçamba de um veículo de serviço até uma área técnica do terminal.
As investigações também apontaram a participação suspeita de trabalhadores da limpeza, auxiliares de transporte e outros funcionários com acesso a áreas restritas. Segundo o delegado da Polícia Federal responsável pelas apurações, Ivo Silva, os trabalhadores recrutados ajudariam a fazer com que as drogas chegassem às aeronaves destinadas a diferentes países.
🔎 Veículos de serviço e áreas restritas eram usados na logística
Imagens de câmeras de segurança e flagrantes policiais revelaram diferentes estratégias utilizadas para movimentar os entorpecentes dentro do aeroporto.
Em uma das ocorrências, funcionários teriam levado mochilas por portões de serviço e repassado o material a um trabalhador da limpeza dentro de um vestiário. As drogas teriam sido colocadas em sacos de lixo para passar pelo controle de raio-X e, posteriormente, entregues a um passageiro na área de embarque.
Em outro caso, os investigadores identificaram o rompimento de um trecho da cerca externa do aeroporto, por onde pacotes teriam sido transferidos diretamente para carrinhos utilizados no transporte de bagagens até as aeronaves.
A reportagem também descreveu uma ocorrência envolvendo malas com cocaína destinadas a Lisboa. Um funcionário teria colocado as bagagens em um contêiner que seguiria para a capital portuguesa e fotografado a carga antes de ser abordado pelos policiais. As malas foram interceptadas, e os agentes encontraram drogas em seu interior.
🧳 Troca de etiquetas pode envolver passageiros sem conhecimento do crime
Além do envio de cocaína do Brasil para o exterior, a Polícia Federal identificou uma modalidade chamada de “tráfico reverso”, na qual drogas seriam transportadas de países da Ásia, Europa e América do Norte para o Brasil.
Um dos casos relatados envolve a brasileira Gabriele Amador Silva, que viajou a lazer para os Estados Unidos e o Canadá com o namorado. Durante um voo entre os dois países, sua bagagem foi extraviada e devolvida somente 18 dias depois, no aeroporto de Toronto.
Ao retornar ao Brasil com a mala recuperada, Gabriele recebeu uma intimação policial. Segundo ela, uma bagagem contendo drogas teria sido enviada em seu nome pelo aeroporto de Guarulhos sem que tivesse conhecimento do fato.
A PF também localizou duas malas abandonadas na esteira do aeroporto, cada uma com 25 quilos de haxixe. A investigação apura o uso de etiquetas adulteradas para associar bagagens contendo drogas a passageiros que podem não ter envolvimento com o esquema.
A reportagem relacionou esse método ao caso de duas brasileiras que ficaram presas por 38 dias na Alemanha, em 2023, após etiquetas de suas bagagens serem transferidas para malas com 40 quilos de cocaína. Posteriormente, elas tiveram a inocência reconhecida e receberam indenização do governo alemão.
📊 Quase cinco toneladas de drogas apreendidas em 2026
Segundo os dados apresentados pelo Fantástico, quase cinco toneladas de drogas haviam sido apreendidas no aeroporto de Guarulhos em 2026 até a publicação da reportagem, em 19 de outubro. O volume já superava os registros anuais anteriores, conforme a matéria.
No mesmo período, 274 pessoas haviam sido presas por tráfico de drogas no aeroporto, incluindo funcionários com acesso a áreas restritas dos terminais.
A Polícia Federal afirma que pretende não apenas identificar os trabalhadores envolvidos, mas também alcançar os integrantes das organizações criminosas responsáveis por coordenar as operações e a logística internacional.
O delegado Ivo Silva ressaltou que a repressão policial precisa ser acompanhada de medidas preventivas para reduzir as vulnerabilidades exploradas pelos grupos criminosos.
🏛️ Defesa nega envolvimento, e autoridades avaliam medidas de segurança
A defesa do funcionário preso após a perseguição no telhado negou o envolvimento dele com o tráfico e afirmou que a mala apreendida não estava sob sua posse no momento da abordagem. Segundo a reportagem, os advogados dos demais acusados não haviam se manifestado.
Em nota, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que estudava a viabilidade de novos investimentos para reforçar a segurança do aeroporto. A concessionária GRU Airport declarou que fornece a estrutura de vigilância e busca aprimorá-la em cooperação com os órgãos de segurança pública.
Os casos descritos evidenciam como o acesso a áreas restritas e a circulação de funcionários e veículos de serviço podem ser explorados por redes criminosas. As responsabilidades individuais, contudo, devem ser estabelecidas pelas investigações e pelos procedimentos judiciais.



