🚤 Mesmo com R$ 263,48 milhões em prejuízos impostos ao crime organizado entre 2024 e 2026, Comando Vermelho e PCC seguem disputando corredores estratégicos de tráfico e avançando sobre atividades ilegais na região
Uma série de operações integradas das forças de segurança estaduais e federais provocou R$ 263,48 milhões em prejuízos ao crime organizado no Amazonas entre 2024 e 2026. No período, foram realizadas 1.902 prisões, mas especialistas alertam que as organizações criminosas continuam exercendo forte influência sobre rotas fluviais estratégicas e ampliando sua presença em áreas da floresta.
Os dados fazem parte de um balanço da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), elaborado pela Diretoria de Inteligência e Operações Integradas (Diopi).
💰 Grandes operações atingem estrutura do crime
Segundo o levantamento, as ações conjuntas realizadas no estado incluíram:
- 20 operações estratégicas;
- 139 mandados de prisão cumpridos;
- 457.946 ações ostensivas;
- 164 operações de inteligência;
- 9,1 toneladas de drogas apreendidas;
- 48,8 toneladas de drogas incineradas;
- 471 armas de fogo apreendidas;
- 56 veículos confiscados;
- 72 toneladas de minério ilícito recolhidas.
O Governo Federal também destinou R$ 265 milhões ao Amazonas entre 2024 e 2026 para infraestrutura, equipamentos e apoio às operações de segurança.
Além disso, foram repassados R$ 1,21 milhão em materiais estruturantes, incluindo drones, viaturas, munições e softwares para extração de dados. Mais de 90 agentes de segurança receberam treinamento.

🚤 Rio Solimões permanece como corredor estratégico
Apesar dos resultados das operações, especialistas afirmam que o tamanho da região dificulta a fiscalização permanente das rotas utilizadas pelo tráfico.
O Rio Solimões é apontado como um dos principais corredores utilizados para transportar cocaína a partir da região de fronteira em direção aos grandes centros brasileiros e, posteriormente, ao exterior.
A extensão das vias fluviais, a dificuldade de acesso e a quantidade limitada de agentes tornam praticamente impossível uma fiscalização contínua de todos os trechos.
O cientista político e historiador Joel Paviotti avalia que a ausência frequente do Estado em determinadas áreas favorece a atuação das organizações criminosas. Ele também aponta problemas de infraestrutura, integração entre as forças de segurança e corrupção como obstáculos ao combate ao tráfico.
🪖 Apreensões recentes mostram dimensão do problema
Em maio de 2026, durante a Operação Ágata Amazônia, as Forças Armadas interceptaram mais de 15 toneladas de drogas na região de fronteira do Amazonas com Peru e Colômbia.
A maior parte da carga — aproximadamente 14 toneladas de skunk — estava escondida às margens do Rio Javari.
Já em julho, forças de segurança apreenderam mais de 2,5 toneladas de cocaína, além de um fuzil e munições, nas proximidades de Codajás. Durante a ação, suspeitos atiraram contra os agentes e conseguiram fugir.
⚔️ CV e PCC disputam rotas na Amazônia
A dinâmica do crime organizado na região também envolve uma disputa territorial entre grandes facções.
Após o enfraquecimento da Família do Norte (FDN), o Comando Vermelho (CV) passou a exercer forte influência sobre a chamada Rota do Solimões, enquanto o Primeiro Comando da Capital (PCC) disputa espaço e corredores estratégicos.
A disputa alcança áreas próximas à tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, região considerada estratégica para o tráfico internacional de drogas.
Segundo levantamentos citados na reportagem, a atuação dos grupos também envolve a cooptação de comunidades ribeirinhas e possíveis alianças com organizações criminosas e grupos armados que atuam fora do Brasil.
🌳 Crime organizado avança sobre atividades ambientais ilegais
A atuação das facções não se limita ao narcotráfico.
Investigações e estudos apontam uma aproximação entre organizações criminosas e atividades como garimpo ilegal, extração clandestina de madeira, grilagem de terras e comércio ilegal de ouro.
Essas atividades podem funcionar como fontes adicionais de recursos, mecanismos de lavagem de dinheiro ou instrumentos para financiar outras atividades criminosas.
O cenário é descrito por especialistas como um “sistema híbrido”, no qual crimes ambientais e tráfico de drogas passam a se conectar dentro da mesma estrutura econômica e territorial.
🏛️ Governo afirma reforçar presença na região
As Forças Armadas afirmam atuar de maneira integrada com outros órgãos no combate a crimes ambientais e na fiscalização das áreas de fronteira.
As operações Ágata, além de ações de patrulhamento fluvial e aéreo, são utilizadas para reforçar a presença do Estado na região de fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública também afirma atuar por meio do Programa Território Seguro e da iniciativa Amazônia Soberana, com prioridade para áreas como o Alto Solimões e o Alto Rio Negro.
Apesar do aumento das operações, dos investimentos e das apreensões, especialistas ressaltam que o tamanho do território amazônico permite que as organizações criminosas absorvam parte dos prejuízos e reorganizem suas operações.
O desafio, portanto, não está apenas em apreender drogas ou prender integrantes das facções, mas em manter uma presença estatal permanente nas rotas fluviais e nos territórios onde essas organizações buscam ampliar sua influência.



