☀️🌎 Cemaden aponta aumento da frequência e da intensidade do calor extremo; fenômeno pode agravar a seca e elevar o risco de incêndios em diversas regiões
O Brasil pode enfrentar ao menos seis ondas de calor entre setembro e dezembro de 2026, segundo uma análise do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). A estimativa foi baseada na análise de 47 anos de registros de temperatura durante períodos de El Niño.
O número de episódios, porém, pode ser ainda maior. Durante o El Niño de 2023–2024, o país registrou nove ondas de calor entre agosto e dezembro, o maior número da série histórica analisada desde 1979.
🌡️ Calor mais frequente e abrangente
Segundo o Cemaden, as ondas de calor passaram a ocorrer com maior frequência e também a atingir áreas mais extensas do território brasileiro. Nas décadas de 1980 e 1990, esses eventos eram mais raros e geralmente concentrados em determinadas regiões.
A partir de 2010, especialmente depois de 2020, o cenário mudou, com episódios de calor extremo alcançando áreas cada vez maiores do país.
A previsão para setembro indica temperaturas de até 3°C acima da média em algumas regiões, embora ainda não seja possível determinar exatamente quando ocorrerá a primeira onda de calor.
O El Niño previsto para o período deve contribuir para o cenário de temperaturas elevadas. Pesquisadores também destacam que o aquecimento global aumenta a temperatura de base do planeta, fazendo com que episódios extremos possam atingir níveis ainda mais elevados.
🌧️ Seca e incêndios entram no radar
O calor intenso pode aumentar a evapotranspiração, reduzindo a umidade do solo e agravando condições de seca já existentes.
Dados do Índice Integrado de Seca do Cemaden apontam que 157 municípios brasileiros estão atualmente em situação de seca severa, com maior concentração no Norte e no Nordeste.
Outro alerta envolve os incêndios florestais. Um levantamento que reúne dados do CPTEC/INPE, Inmet e Funceme aponta 560 municípios em nível alto de risco de fogo, abrangendo mais de 3 milhões de km² — aproximadamente 35% do território nacional.
A região entre a Amazônia e o Pantanal aparece entre as áreas de maior vulnerabilidade.
🌳🔥 Governo reforça combate a incêndios
Diante do cenário, foi criado um gabinete de crise para responder aos impactos do El Niño, com a mobilização de mais de 4,6 mil brigadistas federais para reforçar o combate aos incêndios no país.
Apesar dos riscos, o comportamento do fenômeno climático não será uniforme. Enquanto algumas áreas, principalmente do Norte e Nordeste, podem enfrentar mais calor e menor volume de chuva, o Sul tende a apresentar condições mais favoráveis à ocorrência de chuvas intensas.
💰🥬 Impacto também pode chegar aos preços
Os efeitos do calor e das alterações nas chuvas podem alcançar a economia. Estudos citados pelo Cemaden indicam que choques climáticos associados ao El Niño podem pressionar os preços dos alimentos nos meses seguintes, principalmente produtos in natura.
Em um cenário de El Niño forte, a categoria de alimentos in natura poderia registrar alta de aproximadamente 19,9%, enquanto a alimentação no domicílio poderia avançar cerca de 6,32%, segundo as estimativas apresentadas na análise.
Em resumo: o cenário previsto para os próximos meses combina calor mais frequente, risco de seca, incêndios e possíveis impactos sobre a produção e os preços dos alimentos. A quantidade exata de ondas de calor, entretanto, ainda não pode ser determinada, já que a estimativa do Cemaden representa um cenário baseado no histórico e nas condições climáticas projetadas.



