💰 Balanço preliminar aponta receitas praticamente estáveis e redução de R$ 1,1 bilhão nas despesas; gastos financeiros, porém, dispararam 179%
Os Correios acumulam um prejuízo de aproximadamente R$ 5,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, segundo dados prévios de um balancete contábil obtidos pelo g1. Somente no segundo trimestre, a estatal registrou perdas de cerca de R$ 2,2 bilhões.
Os números ainda não foram oficialmente divulgados pela empresa. Os Correios informaram que as demonstrações financeiras estão em processo de consolidação e que só se manifestarão após a aprovação pelas instâncias responsáveis.
Apesar do resultado negativo, os dados indicam uma leve melhora em relação ao primeiro trimestre, quando a estatal registrou um prejuízo recorde. No acumulado até junho, as receitas permaneceram praticamente estáveis, enquanto as despesas recuaram.
📊 Receitas ficam praticamente estáveis
Entre janeiro e junho, os Correios registraram aproximadamente R$ 8,16 bilhões em receitas, contra R$ 8,18 bilhões no mesmo período de 2025 — uma redução de apenas R$ 28,2 milhões.
Já as despesas passaram de R$ 13,5 bilhões para R$ 12,4 bilhões, uma redução de aproximadamente R$ 1,1 bilhão.
O resultado, embora ainda bastante negativo, ficou R$ 1,2 bilhão abaixo da previsão de despesas, que era de R$ 14,8 bilhões para o período.
📦 Logística cresce, mas encomendas internacionais despencam
Entre os segmentos de atuação dos Correios, a receita com serviços de logística mais que dobrou, passando de R$ 204,9 milhões no primeiro semestre de 2025 para R$ 422,8 milhões em 2026.
O desempenho das principais áreas foi:
| Segmento | 2026 | 2025 |
|---|---|---|
| Encomendas | R$ 4,58 bi | R$ 4,77 bi |
| Mensagem | R$ 2,41 bi | R$ 2,36 bi |
| Logística | R$ 422,8 mi | R$ 204,9 mi |
| Internacional | R$ 354,8 mi | R$ 815,2 mi |
| Malote | R$ 140,9 mi | R$ 130,5 mi |
| Marketing | R$ 129,1 mi | R$ 143,6 mi |
| Conveniência | R$ 98 mi | R$ 81,1 mi |
O principal ponto negativo está nas encomendas internacionais. A receita caiu de R$ 815,2 milhões para R$ 354,8 milhões, uma retração de aproximadamente 56,5% em apenas um ano.
A receita internacional, que já chegou a representar uma parcela significativa do faturamento da estatal, agora responde por cerca de 4,3% das receitas no semestre.
Segundo os dados, a queda está relacionada principalmente à redução da movimentação de encomendas internacionais após a implementação do Remessa Conforme, programa criado em 2023.
💸 Fim da ‘taxa das blusinhas’ não impulsionou receita internacional
Mesmo com o fim da cobrança de 20% que ficou conhecida como “taxa das blusinhas” para determinadas compras internacionais, os Correios ainda não registraram recuperação da receita proveniente desse segmento.
A estatal atribui parte importante da queda ao menor volume de serviços relacionados ao transporte de encomendas internacionais.
👥 Gastos com salários recuam, mas despesas financeiras explodem
Os gastos com salários apresentaram uma pequena redução. Foram R$ 5,2 bilhões no semestre, cerca de R$ 20 milhões a menos que no mesmo período de 2025.
Também houve redução de aproximadamente R$ 260 milhões nas despesas relacionadas a benefícios, como planos de saúde e previdência.
O problema está principalmente nas despesas financeiras, que dispararam.
Esses gastos saltaram de R$ 590 milhões para R$ 1,6 bilhão, uma alta de aproximadamente 179%.
A conta inclui juros e multas relacionados a contratos e empréstimos, entre eles os R$ 12 bilhões em financiamentos contratados pelos Correios no fim de 2025. Segundo os dados apresentados na reportagem, essa operação poderá gerar aproximadamente R$ 22,4 bilhões em despesas com juros ao longo de sua vigência.
As despesas com provisões e perdas também aumentaram. Até junho, chegaram a aproximadamente R$ 1,6 bilhão, contra R$ 1,1 bilhão no mesmo período de 2025.
📉 Situação ainda é delicada
Embora o segundo trimestre tenha apresentado desempenho melhor que o primeiro e as despesas tenham recuado, o resultado mostra que os Correios continuam enfrentando uma situação financeira bastante grave.
O principal desafio é conseguir reduzir estruturalmente os custos enquanto recupera receitas em segmentos importantes. O crescimento da logística é um sinal positivo, mas ainda não compensa a forte queda nas encomendas internacionais e o peso crescente das despesas financeiras.
Em resumo: os números preliminares apontam uma melhora marginal na trajetória das contas, mas não uma reversão da crise. O prejuízo de R$ 5,4 bilhões em apenas seis meses continua sendo um resultado extremamente preocupante para a estatal.



