Estudo da Confederação Nacional da Indústria revela que os prejuízos causados pela criminalidade vão muito além de roubos e furtos, afetando a competitividade das empresas, elevando custos de produção e pressionando investimentos em segurança.
🏭 Prejuízo bilionário afeta setor produtivo
A indústria brasileira perde pelo menos R$ 107 bilhões por ano em decorrência do crime organizado, do mercado ilegal e de atividades ilícitas que impactam diretamente o ambiente de negócios no país. O dado é de uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria, que ouviu 1.398 empresas de 32 setores industriais de pequeno, médio e grande porte.
Segundo o levantamento, cerca de 31% das empresas afirmaram ter sofrido prejuízos causados por crimes ou atividades ilegais. Para a entidade, a criminalidade já representa um dos principais obstáculos à competitividade da indústria nacional.
💰 Gastos com prevenção superam perdas diretas
O estudo mostra que os prejuízos não se limitam aos danos causados por roubos, furtos ou fraudes.
Do total estimado de R$ 107 bilhões:
- R$ 39 bilhões correspondem a perdas diretas de receita;
- R$ 68,5 bilhões são gastos com medidas de prevenção e segurança.
Esses investimentos incluem segurança patrimonial, monitoramento, controle de acesso, rastreamento de cargas, proteção de instalações industriais e sistemas de segurança digital.
De acordo com a CNI, os custos para evitar a ação criminosa já superam os prejuízos provocados diretamente pelos delitos.
📊 Receita menor e perda de mercado
Entre as empresas que relataram impactos da criminalidade:
- 50% apontaram perda de receita bruta;
- 30% citaram perda de participação de mercado;
- 28% registraram aumento dos custos com segurança.
A entidade destaca que recursos que poderiam ser direcionados para expansão, inovação, modernização tecnológica e geração de empregos acabam sendo utilizados para proteger operações e ativos.
🚚 Roubo de cargas continua entre as maiores ameaças
O roubo de cargas aparece como o ilícito mais frequente entre as grandes indústrias.
Quadrilhas especializadas atuam principalmente em corredores logísticos estratégicos, causando prejuízos à cadeia de abastecimento e elevando os custos de transporte e seguros.
No Rio de Janeiro, por exemplo, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro estimou prejuízo de R$ 314 milhões com roubos de carga em 2025, com média de oito caminhões atacados por dia.
💻 Segurança digital entra no radar das empresas
Além dos crimes tradicionais, a pesquisa chama atenção para o crescimento das ameaças virtuais.
Segundo a CNI, aproximadamente 77,1% das empresas destinam apenas 1% ou menos de seus orçamentos para ações de cibersegurança.
A entidade avalia que ataques digitais, vazamento de dados e invasões de sistemas representam um risco cada vez maior para a atividade industrial e exigem investimentos mais robustos.
📈 Pequenas e médias empresas sentem impacto maior
Embora médias e grandes empresas relatem mais ocorrências, proporcionalmente o peso financeiro da criminalidade é mais significativo para pequenas e médias empresas.
De acordo com o estudo:
- pequenas empresas perdem, em média, 0,6% da receita líquida anual;
- médias empresas, 0,8%;
- grandes empresas, 0,4%.
Para a CNI, esses números demonstram que negócios menores possuem menos capacidade de absorver prejuízos e custos extras relacionados à segurança.
🚔 Empresas defendem reforço na fiscalização e inteligência
Questionadas sobre quais medidas poderiam reduzir os impactos da criminalidade, as empresas apontaram como prioridades:
- aumento da fiscalização e do controle (77%);
- maior investimento em inteligência (46%);
- endurecimento da legislação (36%).
Os entrevistados também defenderam o fortalecimento das polícias estaduais, da Polícia Federal e da Receita Federal para ampliar o combate ao crime organizado, ao contrabando, à receptação e aos mercados ilegais.
⚠️ Reflexos chegam ao consumidor
Além dos prejuízos para as empresas, a CNI alerta que os custos adicionais com segurança e logística tendem a encarecer a produção industrial.
Com isso, parte dessas despesas pode ser repassada ao longo da cadeia produtiva, influenciando os preços finais de produtos e serviços consumidos pela população.


