📈 Taxa de atrasos superiores a 90 dias subiu para 4,9%, maior nível da série histórica do Banco Central; entre pessoas físicas, indicador chegou a 5,8%
A taxa média de inadimplência nas operações de crédito dos bancos brasileiros atingiu 4,9% em julho, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (28) pelo Banco Central (BC). O índice subiu de 4,6% em junho e alcançou o maior patamar desde o início da série histórica revisada, em março de 2011.
O indicador considera operações de crédito com atraso superior a 90 dias, incluindo dívidas de pessoas físicas e empresas.
👨👩👧 Inadimplência das famílias bate recorde
O avanço foi ainda mais expressivo entre os consumidores.
A inadimplência das pessoas físicas passou de 5,4% em junho para 5,8% em julho, atingindo o maior nível da série histórica do Banco Central.
Entre as empresas, a taxa também aumentou, passando de 3,2% para 3,3%. O resultado foi o maior desde outubro de 2017, quando o indicador chegou a 3,4%.
| Indicador | Junho | Julho |
|---|---|---|
| Inadimplência total | 4,6% | 4,9% |
| Pessoas físicas | 5,4% | 5,8% |
| Empresas | 3,2% | 3,3% |
💰 Recorde ocorre durante o Desenrola 2.0
O resultado chama atenção porque ocorre poucos meses após o lançamento do Novo Desenrola Brasil, conhecido como Desenrola 2.0.
O programa começou em maio com o objetivo de facilitar a renegociação de dívidas e reduzir o endividamento dos brasileiros.
Segundo o Ministério da Fazenda, até o final de junho já haviam sido realizadas aproximadamente 3,6 milhões de renegociações, envolvendo mais de R$ 22 bilhões em dívidas.
Após as negociações, o valor dos débitos renegociados teria sido reduzido de cerca de R$ 22 bilhões para aproximadamente R$ 4 bilhões.
O governo também decidiu prorrogar o prazo de adesão ao programa até 31 de agosto.
⚠️ Recorde não significa necessariamente fracasso do programa
O aumento da inadimplência não permite afirmar, isoladamente, que o Desenrola 2.0 não esteja funcionando.
Isso porque o programa atua principalmente sobre dívidas que já existem, enquanto a taxa calculada pelo Banco Central mostra a proporção de operações de crédito com atraso superior a 90 dias.
Assim, é possível que milhões de reais em dívidas tenham sido renegociados e, simultaneamente, novos casos de inadimplência tenham surgido.
O dado, entretanto, mostra que a pressão financeira sobre famílias e empresas continua elevada.
📊 Endividamento permanece alto
Os indicadores de endividamento das famílias também permanecem em níveis elevados.
Segundo o Banco Central, a relação entre o saldo das dívidas das famílias e a renda acumulada em 12 meses ficou em 49,8% em junho, último dado disponível para esse indicador no momento da divulgação.
Já dados da Serasa Experian apontavam que 82,8 milhões de brasileiros estavam endividados em março, equivalente a aproximadamente 49% da população.
Naquele mês, as dívidas somavam R$ 557,7 bilhões, sendo que 47% estavam concentradas em instituições financeiras — justamente um dos principais focos do Desenrola 2.0.
🏦 Juros continuam sendo um fator de pressão
O cenário de crédito caro ajuda a explicar parte da dificuldade enfrentada pelos consumidores e empresas.
Com juros elevados, uma dívida pode crescer rapidamente quando permanece em atraso ou é transferida para modalidades de crédito mais caras. Isso aumenta o comprometimento da renda e dificulta a regularização das contas.
O recorde registrado pelo Banco Central, portanto, reforça o sinal de pressão sobre o orçamento das famílias e sobre a capacidade de pagamento dos tomadores de crédito.
📌 O que os números mostram
O quadro de julho apresenta uma combinação preocupante: a inadimplência bancária atingiu o maior nível da série histórica, enquanto o governo mantém um programa de renegociação em andamento.
O Desenrola 2.0 já permitiu a renegociação de bilhões de reais em dívidas, mas os números do Banco Central indicam que a geração de novos casos de inadimplência continua forte.
O principal desafio agora é evitar que os consumidores que conseguiram renegociar suas dívidas voltem a ficar inadimplentes e, ao mesmo tempo, impedir que novos endividamentos agravem o problema.



