📢 Dentro da campanha, avaliação é de que aumento do benefício pode deslocar o debate para a agenda social e econômica; medida alcança mais de 19 milhões de famílias
O reajuste do Bolsa Família passou a ser tratado dentro da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma forma de deslocar o debate eleitoral da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) para a agenda econômica e social.
Segundo reportagem do g1, setores do Ministério da Fazenda já defendiam havia algumas semanas o aumento do benefício como uma medida para tentar conter a insatisfação dos eleitores com a economia. A decisão, porém, foi tomada após o agravamento da crise no STF.
Na avaliação de integrantes da campanha de Lula, o reajuste pode tirar parte da disputa política da arena do Supremo, considerada naquele momento desfavorável ao presidente. A estratégia ocorre em meio às discussões sobre a atuação de ministros da Corte, especialmente Alexandre de Moraes, e às divergências internas do tribunal.
💳 Benefício mínimo passa a R$ 691
O reajuste elevou o benefício mínimo do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691, a 17 dias do primeiro turno. Mais de 19 milhões de famílias recebem o programa, alcançando quase 50 milhões de pessoas, segundo os dados citados pelo g1.
A campanha também considera que o aumento pode gerar dificuldades para a candidatura de Flávio Bolsonaro. Desde o anúncio, integrantes da campanha do senador evitaram defender medidas contra o reajuste. O coordenador da campanha, Rogério Marinho, criticou a política fiscal do governo, mas afirmou que a campanha abordaria as consequências econômicas da medida.
Um deputado aliado de Flávio, Zé Trovão, chegou a recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o reajuste. A ação, porém, foi extinta pelo ministro André Mendonça, que considerou que o parlamentar não tinha legitimidade para apresentar aquele tipo de processo.
📣 PT tenta alterar o tom da campanha
Ainda segundo o g1, articuladores do PT passaram nos últimos dias a tentar mudar o tom da pauta eleitoral. O movimento ocorre em um cenário no qual a campanha de Lula avalia que Flávio Bolsonaro ganhou espaço no debate político em razão da crise no STF.
Além do Bolsa Família, integrantes do partido passaram a recuperar críticas ao governo de Jair Bolsonaro e a Donald Trump, em uma tentativa de recolocar temas econômicos, sociais e políticos no centro da disputa.
A estratégia descrita pela reportagem representa uma avaliação interna da campanha de Lula, e não uma comprovação de que o reajuste tenha sido adotado exclusivamente para desviar a atenção da crise no STF.


