🌎 Produção chinesa cresceu mais de 9% no primeiro semestre de 2026; diferenças nos hábitos de consumo mantêm o país asiático entre os principais compradores da proteína brasileira
A China está ampliando sua produção de carne de frango e aumentando as exportações, movimento que pode intensificar a concorrência com o Brasil no comércio internacional de proteína animal. Apesar desse avanço, o país asiático continua sendo um importante destino do frango brasileiro, em parte devido às diferenças nas preferências de consumo dos dois mercados.
Segundo reportagem publicada pelo g1 em 12 de outubro de 2026, a produção chinesa de carne de frango cresceu mais de 9% no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2025. O avanço ocorre após uma alta de aproximadamente 7% no ano passado, conforme dados atribuídos ao Rabobank, instituição especializada no mercado agropecuário.
Com a produção crescendo mais rapidamente que o consumo interno, a China passou a ampliar os embarques de carne in natura, além das exportações de produtos processados. O peito de frango, menos procurado por parte dos consumidores chineses, ganhou espaço nas vendas externas.
De janeiro a maio de 2026, a China exportou 546 mil toneladas de carne de frango, volume 51% superior ao registrado nos cinco primeiros meses do ano anterior, segundo dados citados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Desse total, 257,1 mil toneladas foram de peito de frango, equivalente a 63,3% dos embarques no período. As exportações desse corte cresceram 59,6% na comparação anual.
Em 2025, as vendas chinesas ao exterior superaram 1 milhão de toneladas. Embora o volume tenha colocado o país entre os principais exportadores mundiais, o Brasil manteve uma dimensão significativamente maior no setor, com aproximadamente 5,3 milhões de toneladas exportadas no mesmo ano.
📦 China continua comprando frango brasileiro
Mesmo com o aumento da produção doméstica, a China permanece como um dos principais mercados para a carne de frango brasileira. Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil exportou cerca de 420,4 mil toneladas do produto para o país asiático, gerando receita de US$ 1,15 bilhão, segundo os números divulgados pelo g1.
A China liderou as compras de frango brasileiro em fevereiro, abril, maio, junho, julho e agosto. Em setembro, ficou na terceira posição entre os destinos, com 40,9 mil toneladas, atrás dos Emirados Árabes Unidos, com 45,9 mil toneladas, e da União Europeia, com 43,5 mil toneladas.
A permanência dessa demanda está relacionada, entre outros fatores, às diferenças nos hábitos alimentares. Enquanto os consumidores chineses demonstram forte preferência por pés e asas de frango, no Brasil há maior procura por cortes como peito, coxa e sobrecoxa.
Esse perfil de consumo permite que a China continue importando partes valorizadas em seu mercado interno enquanto direciona ao exterior cortes com menor demanda doméstica.
Em 2025, as exportações brasileiras de pés de frango para a China renderam US$ 221 milhões, segundo os dados apresentados na reportagem. O país asiático foi o principal comprador desse produto.
📊 Disputa internacional e perspectivas para o Brasil
A expansão chinesa pode aumentar a concorrência com os exportadores brasileiros em mercados do Oriente Médio, da Ásia e da África. Essa é a avaliação de Chenjun Pan, especialista em proteínas animais do Rabobank, citada pelo g1.
O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, por sua vez, avalia que o crescimento chinês não necessariamente reduzirá o espaço do Brasil no comércio mundial. Segundo ele, a perspectiva de aumento do consumo global de proteínas pode abrir oportunidades para diferentes fornecedores.
A China também enfrenta restrições para acessar determinados mercados. União Europeia, Japão e Coreia do Sul possuem exigências e protocolos sanitários específicos para a importação de carne de aves, que podem limitar as compras de regiões ou países afetados pela gripe aviária.
Nesse cenário, o avanço chinês representa uma mudança importante na dinâmica do comércio internacional: o país mantém a condição de grande comprador do frango brasileiro enquanto amplia sua capacidade de exportação. A evolução dessa concorrência dependerá do crescimento da produção, das preferências dos consumidores, das exigências sanitárias e da demanda global pela proteína.



