📊 Hugo Motta e Davi Alcolumbre buscam permanecer no comando das Casas, mas nova composição do Congresso amplia o peso do PL e deve aumentar as negociações para a eleição das Mesas Diretoras
A composição do Congresso Nacional que tomará posse em 2027 será diferente da atual e deverá influenciar as articulações para a escolha dos próximos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. A eleição das Mesas Diretoras das duas Casas está prevista para fevereiro de 2027, e os atuais presidentes, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), manifestam interesse em permanecer nos cargos.
O principal elemento novo é o crescimento do PL, que elegeu 121 deputados federais e 19 senadores no primeiro turno das eleições de 2026. Com os parlamentares que já possuem mandato, a legenda deverá chegar a 28 senadores em 2027 e terá a maior bancada partidária nas duas Casas.
Na Câmara, os 121 deputados representam cerca de 23,6% das 513 cadeiras. No Senado, os 28 integrantes correspondem a pouco mais de um terço dos 81 parlamentares. Portanto, apesar de ser a maior bancada individual, o PL não terá maioria sozinho e dependerá de acordos com outras legendas para formar maioria e disputar o comando das Casas. Na Câmara, União Brasil, PP, PSD e Republicanos, por exemplo, somarão 171 deputados.

🏛️ Hugo Motta enfrenta nova composição na Câmara
Hugo Motta foi eleito presidente da Câmara em 2025 com apoio de um amplo grupo de partidos. Desde então, sua relação com setores do PL passou por episódios de desgaste, entre eles divergências sobre propostas relacionadas à anistia dos condenados pelos atos de 8 de janeiro e decisões envolvendo os mandatos de parlamentares da legenda.
Outro fator citado nas articulações é o posicionamento político de Motta durante as eleições de 2026. O presidente da Câmara declarou apoio à candidatura de Lula (PT) à reeleição, enquanto setores do PL estão alinhados à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
Com a eleição de 121 deputados, o PL terá a maior bancada da Câmara a partir de 2027. A nova composição aumenta o peso da legenda nas negociações para a escolha do próximo presidente da Casa.

Entre os nomes mencionados nas articulações está o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, apontado como uma das possibilidades para disputar a presidência. Também são consideradas possíveis composições com partidos do chamado Centrão. Essas movimentações, contudo, não representam candidaturas oficialmente definidas.
🏛️ Disputa pelo Senado tem PL com 28 parlamentares
No Senado, a mudança é ainda mais expressiva. O PL elegeu 19 dos 54 senadores que estavam em disputa e, somados aos nove parlamentares da legenda que permanecem com mandato, deverá chegar a 28 integrantes no início de 2027. O número representa a maior bancada de um partido no início de uma legislatura desde a promulgação da Constituição de 1988, segundo levantamento do Senado.
O PT deverá ter nove senadores e o MDB, oito. A federação União Progressista terá uma bancada expressiva, enquanto Republicanos e PSD também terão participação relevante. A distribuição significa que a escolha do presidente do Senado deverá depender de negociações entre diferentes partidos.
Entre os nomes citados nas articulações para a presidência do Senado estão Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS). O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que Marinho será o candidato da legenda, enquanto o partido declarou oposição à tentativa de recondução de Alcolumbre, segundo a CNN.
Para vencer a eleição da Presidência do Senado, é necessária a maioria absoluta dos 81 senadores, ou seja, 41 votos, caso haja votação com todos os integrantes da Casa. Dessa forma, mesmo com 28 senadores, o PL precisará buscar apoio de outras bancadas.
🤝 Alcolumbre e a relação com o governo Lula

Davi Alcolumbre também se aproximou institucionalmente do governo Lula ao longo de 2026. Em agosto, ele participou de uma reunião com Lula e Hugo Motta no Palácio da Alvorada para definir prioridades da agenda legislativa, entre elas a PEC relacionada ao fim da escala 6×1.
A posição de Alcolumbre durante a eleição presidencial, porém, não foi idêntica à de Motta. Enquanto o presidente da Câmara declarou apoio explícito a Lula, Alcolumbre não havia feito declaração pública equivalente, segundo a reportagem utilizada como base para a análise das articulações.
A situação também envolve a relação de Alcolumbre com setores da direita no Senado, que nos últimos anos fizeram críticas à sua condução da Casa, especialmente em temas relacionados ao Supremo Tribunal Federal.
⏱️ PEC do fim da escala 6×1 entra no cenário das negociações
A PEC que trata do fim da escala 6×1 também aparece no contexto das articulações políticas. Alcolumbre colocou a proposta na pauta de discussões do Senado após o primeiro turno. A matéria havia sido incluída anteriormente entre as prioridades acertadas em reunião entre Alcolumbre, Lula e Motta.
A tramitação ocorre em um momento de mudança na composição do Senado. Com o PL chegando a 28 integrantes e outras bancadas mantendo peso significativo, a aprovação de uma proposta constitucional dependerá da construção de uma maioria que ultrapasse os limites de qualquer partido isoladamente.

🗳️ Nova correlação de forças
O resultado das eleições não define antecipadamente quem presidirá Câmara ou Senado. A escolha será feita pelos próprios parlamentares no início da próxima legislatura e dependerá de negociações entre partidos e grupos políticos.
Na Câmara, a força do PL será contraposta a um conjunto de partidos que, somados, também possui número expressivo de deputados. No Senado, embora o PL tenha uma bancada historicamente grande, a legenda também precisará negociar para alcançar a maioria necessária.
Assim, o cenário para 2027 combina uma maior bancada do PL, fortalecimento de setores da direita e a permanência de partidos de centro com capacidade de negociação. As articulações para as presidências das duas Casas deverão continuar até a eleição das Mesas Diretoras.



