💰 Grupo Gennius, que também controla Ragazzo e Tendall, busca reorganizar as finanças e manter as operações; lojas seguem funcionando normalmente
O Grupo Gennius, controlador das redes Habib’s, Ragazzo e Tendall, teve seu pedido de recuperação judicial aceito pela Justiça de São Paulo. O processo envolve 178 empresas e dois produtores rurais, com um passivo declarado de R$ 265,2 milhões.
A medida não significa que as redes estejam fechando as portas. As lojas continuam funcionando normalmente, enquanto o grupo busca reorganizar suas dívidas e negociar com os credores.
📉 O que levou o grupo à crise?
Segundo o pedido apresentado à Justiça, a deterioração financeira foi resultado principalmente da combinação de três fatores:
- Pandemia de Covid-19: as restrições reduziram o movimento das unidades, especialmente em grandes centros urbanos.
- Mudança nos hábitos de consumo: o avanço do trabalho remoto e híbrido alterou o fluxo de consumidores, enquanto o crescimento do delivery reduziu a frequência nos restaurantes físicos e pressionou as margens.
- Juros elevados: o aumento da Selic encareceu as dívidas contraídas pelo grupo, fazendo com que uma parcela maior da geração de caixa fosse destinada ao pagamento de juros.
O grupo afirma que esses fatores comprometeram sua capacidade de manter o nível de operação e honrar os compromissos financeiros.
💵 Quanto o grupo deve?
O pedido de recuperação judicial aponta R$ 265.207.959,83 em dívidas.
Desse montante:
- R$ 22,3 milhões são de natureza trabalhista;
- R$ 241,7 milhões correspondem principalmente a credores sem garantia específica, incluindo bancos, fornecedores e outros parceiros;
- R$ 1,15 milhão é devido a micro e pequenas empresas.
🏪 As lojas do Habib’s vão fechar?
Não há determinação de fechamento das lojas.
A recuperação judicial tem justamente o objetivo de permitir que as empresas continuem funcionando enquanto reorganizam suas dívidas. O grupo informou que as operações seguem normalmente.
Isso, porém, não significa que nenhuma unidade possa ser fechada no futuro. Durante uma reestruturação, o plano pode eventualmente prever o fechamento de lojas deficitárias, venda de ativos ou outras medidas para reduzir custos. Essas decisões dependerão do plano que será apresentado aos credores.
O grupo controla atualmente:
- 119 lojas do Habib’s;
- 26 lojas do Ragazzo;
- 6 churrascarias Tendall.
👷 E os funcionários?
A recuperação judicial não provoca demissões automáticas.
A atividade empresarial continua e os salários referentes ao período posterior ao pedido devem continuar sendo pagos normalmente. Eventuais dívidas trabalhistas anteriores ao pedido entram no processo de recuperação e seguem as regras específicas de pagamento previstas na legislação.
🤝 Grupo tentou negociar antes
Antes de recorrer à recuperação judicial, o Grupo Gennius tentou negociar diretamente com seus credores.
Em 25 de junho, a empresa buscou proteção temporária contra cobranças enquanto participava de uma negociação por meio de mediação. O período previsto era de 60 dias.
A tentativa, entretanto, não conseguiu solucionar a crise. Segundo o grupo, instituições financeiras estariam retendo recursos e havia risco de interrupção de serviços essenciais para o funcionamento das lojas, inclusive sistemas tecnológicos utilizados nas operações.
Sem chegar a um acordo, o grupo apresentou o pedido de recuperação judicial em 24 de agosto. A Justiça aceitou o processamento no dia seguinte.
⚖️ O que acontece agora?
A Justiça determinou a suspensão temporária de parte das ações e cobranças contra as empresas envolvidas, respeitadas as exceções previstas na legislação.
A KPMG Corporate Finance foi nomeada administradora judicial e deverá acompanhar o processo, fiscalizar as informações apresentadas pelo grupo e auxiliar o Judiciário.
O Gennius terá 60 dias para apresentar seu plano de recuperação judicial. A proposta deverá detalhar como pretende reorganizar e pagar as dívidas, ao mesmo tempo em que mantém as empresas em funcionamento.
Caso o plano não seja apresentado dentro do prazo legal, a recuperação poderá ser convertida em falência.
📊 Da expansão à recuperação judicial
| Período | Acontecimento | Impacto |
|---|---|---|
| 2020–2022 | Pandemia | Queda no movimento das lojas, especialmente em grandes centros |
| Pós-pandemia | Mudança no comportamento dos consumidores | Trabalho híbrido e delivery alteram o fluxo dos restaurantes |
| Anos seguintes | Juros elevados | Aumento do custo das dívidas e pressão sobre o caixa |
| 25/06/2026 | Início de tentativa de negociação com credores | Grupo busca solucionar a crise sem recuperação judicial |
| 24/08/2026 | Pedido de recuperação judicial | Gennius declara dívida de R$ 265,2 milhões |
| 25/08/2026 | Justiça aceita o pedido | Processo é iniciado e KPMG é nomeada administradora judicial |
| Próximos 60 dias | Apresentação do plano | Grupo deverá propor como pretende reorganizar suas dívidas |
🔎 O que realmente está em jogo?
A recuperação judicial não significa que o Habib’s está falindo ou que as lojas serão fechadas imediatamente. O principal desafio agora será fazer com que o grupo consiga reduzir e reorganizar uma dívida de R$ 265,2 milhões sem comprometer o caixa necessário para manter centenas de unidades funcionando.
O futuro das redes dependerá da aprovação do plano pelos credores e, principalmente, da capacidade do Grupo Gennius de voltar a gerar caixa suficiente para sustentar a operação e cumprir os pagamentos renegociados.



