🔎 Em defesa enviada a Fachin, ministro contesta relatório da PF sobre conversas com Vorcaro e afirma que investigação foi instaurada de forma ilegal
O ministro Alexandre de Moraes apresentou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, sua defesa antes da sessão que discutiria a abertura de uma investigação relacionada às mensagens extraídas do celular do empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Moraes classificou como “inconstitucional e ilegal” a investigação determinada pelo ministro André Mendonça e afirmou que a medida teria sido instaurada de ofício, sem pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) ou da Polícia Federal. Segundo ele, a iniciativa representaria uma espécie de retaliação de aliados de pessoas condenadas pela tentativa de golpe de Estado — entre elas, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que indicou Mendonça ao STF.
Na defesa, Moraes também contestou a atribuição de mensagens a ele. O ministro afirmou que os registros encontrados no aparelho de Vorcaro não demonstrariam, por si só, que os textos foram enviados por ele e questionou a interpretação dada às anotações.
O relatório da PF, porém, aponta que Moraes foi identificado como interlocutor de Vorcaro a partir do cruzamento de diferentes elementos obtidos no celular do empresário, incluindo horários de capturas de tela, registros de abertura de aplicativos, dados de envio do WhatsApp, contatos e informações de agenda. O aparelho, um iPhone 17 Pro, foi apreendido em novembro de 2025.
Segundo o material citado por O Globo, foram identificadas 52 mensagens ou registros relacionados a Moraes ao longo de 13 dias. Em um deles, Vorcaro questionava se deveria estar fora da prisão na segunda-feira, pouco antes de sua detenção.
Moraes afirma que não há, entre os elementos apresentados, mensagens de sua autoria que indiquem favorecimento ao Banco Master, prestação de consultoria jurídica ou conhecimento prévio de operações contra o empresário. Ele também nega ter mantido contato com autoridades para beneficiar Vorcaro ou ter antecipado informações sobre sua prisão.
Outro ponto contestado pelo ministro é a própria composição do relatório. Segundo sua defesa, 47 das 52 mensagens mencionadas não teriam sido localizadas em conversas do WhatsApp, mas apenas em registros encontrados no aparelho de Vorcaro.
A controvérsia ocorre em meio à disputa no STF sobre o acesso aos dados do celular de Vorcaro, o levantamento do sigilo de documentos e a condução dos procedimentos relacionados ao caso Master. Fachin assumiu a relatoria do procedimento envolvendo Moraes e passou a centralizar parte das discussões sobre o caso.
A sessão extraordinária do STF marcada para analisar a eventual abertura de investigação contra Moraes ocorreu em 15 de setembro, mas terminou sem uma decisão definitiva após pedido de vista do ministro Flávio Dino.


