Representantes da indústria, comércio e serviços defendem período de adaptação, enquanto governo e centrais sindicais afirmam que redução da jornada representa avanço social
O debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1 voltou ao centro das discussões no Congresso Nacional nesta quarta-feira (1º), durante uma sessão temática realizada no Senado Federal para discutir a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e garante ao menos duas folgas por semana aos trabalhadores.
Durante a sessão, representantes do setor produtivo demonstraram preocupação com os impactos econômicos da proposta e defenderam que o tema seja analisado de forma técnica, sem influência do calendário eleitoral. Já integrantes do governo e representantes das centrais sindicais argumentaram que a medida representa um avanço na qualidade de vida dos trabalhadores e pode trazer ganhos de produtividade.
🏭 Empresários apontam impacto econômico e defendem transição
Entidades que representam a indústria, o comércio e o setor de serviços afirmaram que uma mudança dessa dimensão exigirá reorganização das escalas de trabalho, possíveis contratações adicionais e adaptação das empresas, especialmente nos segmentos que operam continuamente.
O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), Ivo Dall’Acqua Júnior, afirmou que a proposta pode produzir efeitos em toda a economia e defendeu que a implementação seja planejada.
Segundo ele, embora o objetivo de ampliar a qualidade de vida dos trabalhadores seja legítimo, a discussão também deve considerar fatores como produtividade, competitividade, geração de empregos, sustentabilidade das empresas e impacto sobre o custo de vida.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, também pediu cautela e defendeu maior flexibilidade nas relações de trabalho. Para ele, um debate dessa relevância não deve ser conduzido sob influência do calendário eleitoral.
Na mesma linha, o presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Ricardo Albano, afirmou que o setor produtivo não é contrário à redução da jornada, mas considera fundamental discutir uma forma de implementação gradual para reduzir impactos econômicos.
👥 Governo destaca benefícios sociais da proposta
Representantes do governo defenderam que o debate não deve considerar apenas os aspectos financeiros.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que a redução da jornada também representa uma medida voltada à saúde física e mental dos trabalhadores. Segundo ele, profissionais com maior tempo de descanso tendem a apresentar melhor desempenho e mais oportunidades para qualificação.
O ministro do Empreendedorismo, Márcio França, classificou a proposta como uma das mudanças mais importantes nas relações trabalhistas desde a Constituição de 1988.
As centrais sindicais também reforçaram apoio à PEC, defendendo a redução da jornada sem diminuição salarial.
🏛️ PEC aguarda início da tramitação no Senado
Antes da sessão de debates, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reuniu-se com representantes do governo e das centrais sindicais para discutir o andamento da proposta.
Segundo Alcolumbre, a redução da jornada deve ser implementada imediatamente após a eventual promulgação da PEC, sem período de transição — posição que ainda será debatida durante a tramitação do texto.
A proposta já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e agora aguarda o início de sua análise pelos senadores.
Enquanto empresários defendem uma implementação gradual para minimizar impactos econômicos, trabalhadores e representantes do governo sustentam que a mudança representa um passo importante na modernização das relações de trabalho e na melhoria da qualidade de vida da população.


