🔎 Polícia Civil de Mato Grosso afirma que religiosos teriam usado atividades de assistência espiritual para manter contato com integrantes do Comando Vermelho; investigados foram denunciados por organização criminosa e lavagem de dinheiro
Uma investigação da Polícia Civil de Mato Grosso aponta que uma família de missionários religiosos teria utilizado o acesso a unidades prisionais, obtido por meio de atividades de assistência espiritual, para manter contato com integrantes do Comando Vermelho (CV).
Segundo a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Rhavenna Barcelos de Almeida e os pais, os pastores Nivaldo de Almeida e Orminda de Almeida, faziam parte de um grupo autorizado pelo governo estadual a prestar assistência religiosa em presídios.
De acordo com os investigadores, a atividade teria sido utilizada para aproximar os suspeitos de integrantes e lideranças da facção. A polícia afirma que eles transmitiam recados, movimentavam recursos financeiros e ajudavam a ocultar valores que seriam provenientes do tráfico de drogas.
🔎 Mensagens e registros apreendidos
Com autorização judicial, os investigadores analisaram mensagens, fotos, vídeos e áudios que, segundo a polícia, demonstrariam a proximidade de Rhavenna com integrantes do crime organizado.
Entre os registros estão imagens da investigada exibindo armas, grandes quantias em dinheiro, joias e veículos de luxo. A investigação também identificou registros de viagens, festas e outros gastos que, segundo a polícia, estariam relacionados aos criminosos.
Um dos nomes citados no inquérito é Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como Batman, apontado pela polícia como uma das lideranças do Comando Vermelho em Mato Grosso.
Segundo a investigação, Batman cumpria pena na mesma unidade prisional frequentada pela família durante as atividades religiosas. Após receber autorização para o regime semiaberto, em setembro de 2024, ele teria rompido a tornozeleira eletrônica e fugido para o Rio de Janeiro.
A polícia afirma que Rhavenna mantinha contato frequente com o criminoso e sabia onde ele estava escondido. O inquérito aponta ainda que os dois mantinham um relacionamento amoroso e que ela viajava ao Rio de Janeiro para encontrá-lo.
💰 Relações com integrantes da facção
Outro nome citado na investigação é Renildo Silva Rios, apontado como um dos fundadores do Comando Vermelho em Mato Grosso e preso há mais de duas décadas por crimes como homicídio, tráfico e organização criminosa.
De acordo com o inquérito, Rhavenna também teria mantido um relacionamento com Renildo. A polícia afirma que ele enviava presentes à investigada, incluindo joias e um veículo.
⚖️ Indiciamentos e decisão judicial
Rhavenna, Orminda e Nivaldo foram indiciados por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Posteriormente, o Ministério Público denunciou Rhavenna, Orminda e Renildo pelos mesmos crimes.
A Justiça de Mato Grosso proibiu os investigados e outras quatro pessoas citadas no inquérito de participar de atividades de assistência religiosa em unidades prisionais.
A Secretaria de Justiça informou ainda que reforçou a fiscalização contra o uso de celulares dentro da Penitenciária Central de Cuiabá.
As defesas negam as acusações. A defesa de Rhavenna afirmou que os fatos serão esclarecidos durante o processo, enquanto a defesa de Orminda declarou que ela não tem participação em organização criminosa.
Nivaldo de Almeida morreu nesta semana em decorrência de um câncer.



