⚖️ Instrutores Presos Não Conseguem Explicar Falha que Levou à Morte
As investigações sobre a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump em Cordeirópolis, interior de São Paulo, ganharam novos desdobramentos. Os três instrutores presos preventivamente prestaram depoimento à Polícia Civil, mas afirmaram não se lembrar de quem era o responsável por instalar e conferir a corda de segurança antes do salto.
Segundo informações reveladas pelo programa Fantástico, os profissionais relataram que não existia uma divisão rígida de funções na equipe. A conferência dos equipamentos era feita de maneira compartilhada, sem que houvesse um responsável fixo para a verificação final.
Um dos instrutores afirmou que os procedimentos eram realizados coletivamente, com diferentes membros da equipe alternando a colocação e a checagem dos equipamentos. Quando questionado sobre quem deveria ter garantido que Maria Eduarda estivesse presa à corda antes do salto, disse não se recordar.
Outro funcionário também confirmou participar das verificações de segurança, mas declarou não lembrar se realizou a conferência específica no momento do acidente.
A Polícia Civil investiga o caso como homicídio com dolo eventual, entendimento aplicado quando há indícios de que os envolvidos assumiram o risco de provocar a morte, mesmo sem intenção direta.

🎥 Vídeo Registrou Momento da Falha Fatal
Imagens gravadas por testemunhas mostram Maria Eduarda sendo conduzida por três instrutores até a plataforma de salto. Ela foi impulsionada para a queda sem estar conectada ao sistema de segurança.
Logo após o lançamento, pessoas presentes perceberam o erro e começaram a gritar desesperadamente sobre a ausência da corda.
A jovem caiu de aproximadamente 40 metros de altura e morreu ainda no local. De acordo com a investigação, a corda principal que deveria sustentar o salto permaneceu enrolada sobre a plataforma.
Além da apuração da falha operacional, a polícia também investiga o desaparecimento de uma câmera que estaria com a vítima no momento do acidente.
🌉 Ponte do Esqueleto Acumula Histórico de Ocorrências
O acidente ocorreu na chamada Ponte do Esqueleto, estrutura ferroviária desativada localizada entre Limeira e Cordeirópolis.
Com cerca de 40 metros de altura, a ponte se tornou conhecida por atrair praticantes de esportes radicais, ciclistas e aventureiros, apesar de não possuir autorização oficial para esse tipo de atividade.
O local já havia sido cenário de outros acidentes graves nos últimos anos:
- Em abril de 2024, uma ciclista de 39 anos morreu após cair da estrutura.
- Em agosto de 2025, duas mulheres ficaram gravemente feridas em outra ocorrência registrada na ponte.
O histórico reacendeu debates sobre segurança, fiscalização e controle de acesso ao local.
🏛️ Prefeitura e União Divergem Sobre Responsabilidades
Após a tragédia, a Prefeitura de Limeira anunciou que pretende acionar judicialmente o governo federal, alegando omissão diante dos riscos conhecidos da estrutura.
Segundo a administração municipal, diversos pedidos de intervenção e reforço na segurança teriam sido encaminhados aos órgãos federais nos últimos anos sem que medidas efetivas fossem adotadas.
Por sua vez, a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) afirmou que nunca autorizou atividades esportivas na Ponte do Esqueleto. O órgão informou ainda que a incorporação oficial da estrutura ao patrimônio da União ocorreu apenas em 2026 e que, desde 2024, vinha solicitando apoio das prefeituras para restringir o acesso ao local.
A SPU defendeu uma ação conjunta entre os diferentes níveis de governo para impedir novas ocorrências e definir o futuro da estrutura.

🔎 Próximos Passos da Investigação
Os peritos continuam analisando os equipamentos apreendidos e reunindo depoimentos de testemunhas para reconstruir toda a sequência dos acontecimentos.
A principal linha investigativa aponta para uma falha grave nos protocolos de segurança, já que a vítima teria sido lançada sem qualquer conexão ao sistema responsável por interromper a queda.
O resultado dos laudos técnicos deverá auxiliar a Polícia Civil e o Ministério Público na definição das responsabilidades criminais dos envolvidos.



