🔍 Investigação mira cobranças em folhas de pagamento de servidores públicos
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), com apoio da Polícia Civil, deflagrou nesta sexta-feira (19) a Operação Juro Zero, que investiga um suposto esquema de descontos irregulares aplicados na folha de pagamento de servidores públicos do Distrito Federal.
A ação cumpre 50 mandados de busca e apreensão em Brasília, São Paulo e Curitiba. Entre os alvos estão o Banco de Brasília (BRB), a Secretaria de Economia do DF, o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev), o PicPay e a Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal.
Apesar da ampla operação, não foram expedidos mandados de prisão nesta fase da investigação.
👥 Principais investigados
Entre os nomes citados no inquérito estão:
- O ex-secretário de Economia do DF, Ney Ferraz;
- O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que atualmente está preso em outra investigação;
- Eduardo Chedid Simões, diretor do PicPay e ex-investigado pela CPMI dos Descontos Indevidos do INSS.
As autoridades apuram possíveis responsabilidades individuais na criação e execução do modelo de descontos que atingiu milhares de servidores distritais.
💰 Como funcionaria o esquema investigado
Segundo o Ministério Público, as suspeitas surgiram após a edição de um decreto distrital publicado em agosto de 2024, quando Ney Ferraz comandava a Secretaria de Economia.
Poucos dias depois da publicação da norma, o PicPay manifestou interesse em operar parte da folha de pagamento dos servidores do Distrito Federal, oferecendo também um serviço de antecipação salarial.
A investigação aponta que servidores que aderiram ao programa passaram a sofrer descontos classificados como “taxas” diretamente nos contracheques.
Em março de 2026, uma auditoria do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) identificou indícios de irregularidades na cobrança dessas tarifas.
📊 Mais de R$ 80 milhões teriam sido descontados
De acordo com os levantamentos apresentados pelo TCDF, mais de R$ 80 milhões foram descontados entre agosto de 2024 e agosto de 2025 sob a rubrica de taxas relacionadas à antecipação salarial.
O Tribunal concluiu que, apesar da nomenclatura utilizada, os valores possuíam características econômicas equivalentes à cobrança de juros.
Após os apontamentos do órgão de controle, o contrato envolvendo o serviço foi suspenso.
⚖️ Crimes sob investigação
Os investigados poderão responder, conforme o avanço das apurações, por crimes como:
- Organização criminosa;
- Lavagem de dinheiro;
- Corrupção ativa e passiva;
- Inserção e alteração irregular de dados em sistemas públicos;
- Publicidade enganosa nas relações de consumo;
- Crimes contra a economia popular.
Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de quase R$ 90 milhões em contas ligadas ao PicPay e à Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal.
🏛️ Defesa e posicionamentos
O PicPay afirmou, por meio de nota oficial, que não reconhece qualquer irregularidade nas operações investigadas e sustenta que seus produtos seguem as normas do sistema financeiro nacional. A empresa declarou ainda que continuará colaborando com as autoridades e confia na legalidade de sua atuação.
Já a Secretaria de Economia do Distrito Federal informou que a investigação está focada em possíveis condutas de agentes públicos e não na atuação institucional da pasta. O órgão declarou estar prestando total colaboração aos investigadores.
📌 Próximos passos
Com a apreensão de documentos, equipamentos eletrônicos e registros financeiros, o Ministério Público pretende aprofundar a análise dos contratos, fluxos financeiros e decisões administrativas que permitiram a implementação do sistema investigado.
As autoridades buscam esclarecer se houve favorecimento indevido, cobrança irregular de valores dos servidores e eventual participação coordenada entre agentes públicos e privados.



