🔎 Colegiado avaliará se as menções ao procurador-geral no material de Daniel Vorcaro afetam sua imparcialidade nas investigações; relator é o subprocurador Francisco de Assis Sanseverino
O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) marcou para 25 de setembro de 2026 a análise do procedimento envolvendo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a Polícia Federal encontrar, no material apreendido com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, referências ao chefe do MPF.
O colegiado deverá avaliar se os elementos reunidos no relatório da PF podem comprometer a imparcialidade de Gonet na condução das investigações relacionadas ao Banco Master. O relator do procedimento é o subprocurador-geral da República Francisco de Assis Vieira Sanseverino, que também chefia a 2ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF.
A análise não corresponde a um julgamento disciplinar de Gonet nem significa que ele esteja sendo acusado de cometer um crime. O procedimento busca avaliar as circunstâncias envolvendo as menções ao PGR e eventual necessidade de afastá-lo da condução do caso.
Entre os elementos que motivaram o debate estão mensagens encontradas no celular de Vorcaro e referências feitas por terceiros a Gonet. A PF também identificou uma fotografia de Gonet ao lado de Vorcaro, registrada em Londres, em abril de 2024. O procurador-geral reconheceu o encontro e afirmou que aquela foi a única vez em que esteve pessoalmente com o empresário.
O relatório também registra contatos intermediados pelo advogado Ciro Soares. Em uma ocasião, uma fotografia de Gonet teria sido enviada a Vorcaro acompanhada da mensagem “PG me mandou”. Em outro episódio, Soares enviou uma selfie com o procurador-geral e escreveu a Vorcaro que Gonet queria falar com ele. Segundo a PF, posteriormente ocorreram quatro chamadas entre Soares e Vorcaro.
Gonet nega ter mantido relação de proximidade com Vorcaro e sustenta que os elementos reunidos não justificariam questionamentos sobre sua conduta. O episódio também provocou manifestações no STF: o ministro Gilmar Mendes criticou a exposição do nome do procurador-geral, enquanto André Mendonça se manifestou em sentido favorável à análise dos elementos do relatório.
A sessão de sexta-feira deverá, portanto, definir como o Conselho Superior do MPF tratará as informações relacionadas a Gonet e sua participação nas investigações do caso Master.



