🔎 Plenário analisa relatório da PF sobre mensagens de Daniel Vorcaro e decidirá se há elementos que justifiquem investigação contra o ministro
O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta terça-feira (15) uma sessão extraordinária para analisar o relatório da Polícia Federal (PF) sobre mensagens e anotações encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e avaliar se os elementos reunidos justificam a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.
A sessão foi convocada pelo presidente do STF, Edson Fachin, em meio a questionamentos sobre a validade do relatório e a forma como a apuração foi instaurada.
🔎 O que está sendo analisado
Entre os elementos citados no relatório da PF estão registros digitais e metadados relacionados a contratos de aproximadamente R$ 130 milhões e R$ 50 milhões firmados entre empresas de Vorcaro e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
O relatório também aponta mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes e registros de encontros entre os dois. Em uma das mensagens, o empresário teria mencionado uma “dívida de vida” com o ministro e agradecido por sua atuação.
Outro ponto analisado envolve mensagens nas quais Vorcaro teria questionado Moraes sobre a possibilidade de uma operação da Polícia Federal contra ele. O empresário acabou preso pela PF em novembro de 2025, quando tentava embarcar em um jato particular.
Os dados, porém, não permitem identificar eventuais respostas de Moraes, já que o mecanismo utilizado por Vorcaro para registrar e enviar as mensagens recuperou apenas o conteúdo produzido e enviado pelo banqueiro.
⚖️ Defesa de Moraes
Moraes nega ter cometido qualquer irregularidade e afirma que nunca favoreceu Vorcaro ou o Banco Master. O ministro também sustenta que jamais julgou processos envolvendo o empresário ou a instituição financeira.
Em sua manifestação, Moraes afirma que o relatório da PF não apresenta mensagem de sua autoria que indique favorecimento, consultoria jurídica irregular ou conhecimento prévio de operações policiais. Ele também questiona as conclusões da investigação e afirma que elas foram construídas a partir de registros produzidos por terceiros.
O ministro nega ainda ter tido conhecimento prévio da Operação Compliance, ter entrado em contato com autoridades responsáveis pela investigação ou ter vazado informações.
Sobre a possibilidade de vazamento, Moraes argumenta que a própria prisão de Vorcaro demonstraria que o empresário não tinha conhecimento antecipado da operação, já que foi detido enquanto tentava embarcar em um avião e estava com seu passaporte e celular.
📑 Divergência sobre a origem da investigação
Moraes também questiona a forma como a apuração foi instaurada pelo ministro André Mendonça. Segundo ele, a investigação teria sido determinada de ofício, sem provocação prévia da Procuradoria-Geral da República (PGR) ou da Polícia Federal.
A PGR apresentou manifestação pelo arquivamento do relatório, apontando “vício de origem” na instauração da apuração.
Mendonça, por sua vez, defende a legalidade das medidas adotadas e afirma que agiu para preservar as investigações depois que anotações de Vorcaro mencionaram os nomes do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Ao final da sessão, os ministros deverão decidir se os elementos reunidos justificam a abertura de uma investigação formal contra Moraes. A análise ocorre em meio a uma das mais relevantes disputas institucionais recentes dentro da própria Corte.




