O eleitor brasileiro parece cada vez menos impactado por escândalos de corrupção, segundo especialistas ouvidos pelo programa Mapa de Risco, do InfoMoney. Mesmo casos envolvendo cifras bilionárias e diferentes esferas de poder, como o Caso Banco Master, já não causam o choque que outrora motivava fortes repercussões políticas.
Segundo o cientista político Renato Dolci, a reação do público revela uma fadiga política acumulada. “Quando as pesquisas mostram que as pessoas dizem que ‘todos estão envolvidos’, isso indica cansaço. É como se o eleitor dissesse: não tem novidade nisso, já vimos esse filme muitas vezes”, afirmou.
O caso Banco Master e seu impacto limitado
As investigações sobre o Banco Master envolvem atores de várias instituições – Congresso, Judiciário e autoridades regulatórias – o que torna o caso delicado para exploração política. “É um caso de Estado, não de um poder específico. Essa abrangência amplia o risco de desgaste generalizado e reduz o incentivo para que campanhas explorem o assunto diretamente”, explicou Dolci.
Além disso, a repercussão do caso nas redes sociais transformou o debate em fenômeno cultural: memes, piadas e conteúdos virais sobre os envolvidos acabam desviando o foco das discussões institucionais e diminuindo a carga política do escândalo. “Parte significativa da atenção pública se deslocou do debate político para a internet, transformando a narrativa quase em uma novela online”, completou o analista.
Consequências para a política e para campanhas eleitorais
Para partidos e candidatos, o efeito é claro: embora escândalos continuem gerando visibilidade e debate, eles cada vez menos se traduzem em votos ou em mudanças significativas na percepção do eleitor sobre governantes ou opositores. Essa dinâmica representa um desafio para a oposição, que tenta capitalizar politicamente casos como o Banco Master, e também para o governo, que precisa lidar com desgastes reputacionais sem que isso necessariamente se reflita em perda de apoio eleitoral.
Em resumo, a fadiga política do eleitor brasileiro indica que a corrupção segue sendo um tema sensível, mas já não funciona como gatilho automático para instabilidade eleitoral ou alteração de intenções de voto – transformando a política em um jogo de narrativa, percepção e gestão de crises mais do que de choque de fatos.









