Brasil organiza envio de ajuda humanitária a Cuba em meio à crise energética e econômica - NACASHOVI NEWS

Brasil organiza envio de ajuda humanitária a Cuba em meio à crise energética e econômica

BRASÍLIA – O governo brasileiro, por meio do Itamaraty e da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), organiza uma operação de envio de ajuda humanitária a Cuba, em resposta à grave crise enfrentada pelo país caribenho. A iniciativa ocorre em meio ao agravamento da escassez de energia e alimentos na ilha, intensificada pelas sanções econômicas dos Estados Unidos e pela interrupção do envio de petróleo da Venezuela.

Segundo interlocutores do governo federal, a segunda remessa de ajuda depende da chegada de um navio cubano ao Brasil. A carga inclui aproximadamente:

  • 80 toneladas de medicamentos, com foco em antifúngicos e no combate a arboviroses;
  • 20 mil toneladas de arroz com casca;
  • 150 toneladas de feijão preto;
  • 200 toneladas de arroz polido;
  • 500 toneladas de leite em pó.

O envio desta remessa se soma à primeira, realizada há cerca de 15 dias, que transportou 2,5 toneladas de medicamentos para Cuba.

Tradição brasileira em ajuda humanitária

O Brasil possui histórico consolidado de assistência internacional, atuando com princípios de solidariedade, cooperação e não intervenção. Além de Cuba, neste mês o país enviou medicamentos à Bolívia para tratamento de leishmaniose, doença de Chagas e tuberculose, além de apoio humanitário recente a Bahamas, Uruguai, Haiti e Jamaica.

Entre os itens já doados a outros países estão:

  • Bolívia: 40 mil doses de antimoniato de meglumina, 20.160 comprimidos de benznidazol e 5 mil de rifampicina;
  • Uruguai: 10 mil testes rápidos para diagnóstico de leishmaniose visceral canina;
  • Bahamas: dez purificadores de água portáteis e kits de insumos para saúde básica.

Contexto em Cuba

A situação em Cuba se agravou nos últimos meses, com apagões frequentes, escassez de combustíveis e colapso de serviços essenciais, afetando milhões de pessoas. O endurecimento das sanções dos Estados Unidos, conhecido como política de “pressão máxima”, restringiu o acesso da ilha a energia, crédito e comércio internacional, ampliando a crise econômica e social.

Recentemente, o presidente americano, Donald Trump, declarou que acredita ter a “honra” de tomar o país, aumentando a tensão geopolítica na região.

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, reforçou que a operação tem caráter estritamente humanitário, com o objetivo de mitigar o sofrimento da população civil. A logística do envio envolve o uso de navios fretados, em parceria com o Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas, para garantir a entrega rápida em Havana e em outras províncias críticas.

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