A intensificação do conflito no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã, já começa a impactar a cadeia de produção de proteínas animais no Brasil. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal, há risco de alta nos preços de ovos, frango e carne suína nos próximos dias, caso o cenário persista.
Pressão vem dos custos logísticos e insumos
De acordo com a entidade, o aumento no preço do diesel elevou em até 20% os custos do frete rodoviário, afetando tanto o transporte de insumos quanto a distribuição dos produtos. Além disso, embalagens plásticas — derivadas do petróleo — já registram alta de até 30%, em razão das dificuldades logísticas no Estreito de Hormuz, rota estratégica do comércio global.
Esse cenário também impacta outros itens da cadeia produtiva, como fertilizantes, medicamentos e aditivos, ampliando a pressão sobre os custos do setor.
Possível repasse ao consumidor
Diante desse contexto, a ABPA afirma que pode haver repasse de custos ao consumidor no curto prazo, especialmente se a instabilidade internacional continuar. Ainda assim, o setor tenta absorver parte das perdas para evitar aumentos abruptos.

Demanda aquecida e efeito sazonal
O momento coincide com uma demanda elevada por proteínas, impulsionada tanto por mudanças de hábitos alimentares quanto por fatores sazonais, como a Quaresma.
O consumo de ovos, por exemplo, atingiu 287 unidades por pessoa em 2025, crescimento de 6,7% em relação ao ano anterior. A maior procura também se reflete na produção, que subiu 7,9%, chegando a 62,2 bilhões de unidades.
Situação atual de preços
Apesar da pressão recente, os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que:
- Ovos acumulam queda de cerca de 10,8% em 12 meses, mas tiveram alta mensal recente
- Carne suína registra leve recuo no período
- Frango também apresenta pequena queda nos preços
Segundo a ABPA, o mercado ainda mantém oferta equilibrada, o que pode ajudar a conter aumentos mais intensos no curto prazo.
🟢 Conclusão
O risco de aumento nos preços de ovos, frango e carne suína é real, mas ainda depende da evolução do cenário internacional. A pressão atual vem principalmente de custos logísticos e insumos ligados ao petróleo, somada a uma demanda aquecida. Caso o conflito se prolongue, o impacto no bolso do consumidor brasileiro tende a se tornar mais evidente.



