Uma prática que começou em escolas e eventos está chegando a alguns ambientes corporativos nos Estados Unidos: o uso de bolsas lacradas para limitar o acesso a celulares durante o expediente. A medida, ainda restrita a determinados setores, busca aumentar a produtividade e reforçar a segurança de dados.
Empresas que lidam com informações sensíveis ou atividades operacionais têm adotado soluções como as da Yondr, que permitem que o funcionário mantenha o aparelho consigo, mas sem acesso direto. Os dispositivos ficam guardados em bolsas com trava magnética, que só podem ser abertas em pontos específicos, como áreas de descanso.
Um dos exemplos citados é a ID.me, empresa de verificação de identidade digital que implementou o sistema para parte de seus funcionários. A iniciativa surgiu após tentativas frustradas de controlar o uso de celulares apenas com políticas internas.
Segundo empresas que adotaram a prática, os principais objetivos são evitar vazamentos de informações — intencionais ou acidentais — e reduzir distrações causadas por notificações constantes. O tema também ganhou destaque após críticas de executivos como Jamie Dimon, que já classificou o uso frequente de celulares em reuniões como prejudicial e desrespeitoso.
Apesar disso, a medida não é consenso. Relatos indicam resistência inicial de funcionários, que veem a prática como excessiva ou baseada em falta de confiança. Além disso, especialistas apontam que os impactos na produtividade variam: tarefas mais operacionais podem se beneficiar da redução de distrações, enquanto atividades criativas podem ser prejudicadas.
E no Brasil?
No Brasil, não há uma regra específica sobre o uso de celulares no trabalho. No entanto, especialistas em Direito do Trabalho afirmam que empresas podem estabelecer restrições com base no chamado poder diretivo — ou seja, a prerrogativa de organizar e fiscalizar as atividades dos empregados.
Essas limitações, porém, precisam respeitar critérios como proporcionalidade, transparência e respeito à privacidade. Em geral, são mais aceitas em contextos que envolvem risco à segurança, proteção de dados ou sigilo profissional. Também é recomendável que as regras estejam formalizadas e prevejam exceções, como situações de emergência.
O descumprimento pode levar a medidas disciplinares, que vão de advertência à demissão por justa causa, dependendo da gravidade.
Embora ainda pouco comum, o uso de celulares lacrados no ambiente corporativo levanta um debate mais amplo sobre equilíbrio entre produtividade, privacidade e bem-estar no trabalho — um tema que deve continuar em discussão à medida que empresas buscam lidar com os efeitos da hiperconectividade no dia a dia profissional.



